Título: 'Esses facínoras terão a resposta'
Autor: Tosta, Wilson e Farid, Jaqueline
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/01/2007, Nacional, p. A14
A onda de ataques criminosos no Rio obrigou o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) a dedicar à segurança o tom mais forte de seu discurso de posse. ¿Nosso governo não vai se intimidar nem tergiversar para garantir tranqüilidade e segurança ao povo do Rio de Janeiro¿, disse Cabral na tribuna da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), onde assinou o termo de posse às 11 horas.
Com semblante consternado, pediu um minuto de silêncio pelos mortos, entre eles, oito vítimas carbonizadas num ônibus. ¿Esses facínoras, esses covardes terão a resposta de um governo sério, que defende a ordem¿, disse o novo governador, referindo-se aos criminosos que desencadearam os atentados na semana passada.
No Palácio Guanabara, depois de receber o cargo da governadora Rosinha Matheus (PMDB), Cabral repetiu o tom duro ao apresentar, na solenidade de posse do secretariado, o delegado federal José Mariano Beltrame como secretário de Segurança. ¿Nosso governo vai ganhar a guerra contra esses criminosos. Vamos dar segurança à população. Esse é o meu compromisso, não é só uma figura de retórica¿, frisou. O governador disse ainda que prestigiará os policiais, dando-lhes melhores condições de trabalho.
Depois dos oito anos de poder do casal Garotinho, cujo berço político é o norte fluminense, Cabral foi saudado pelo presidente da Alerj, Jorge Picciani, como ¿carioca da gema¿ e ¿cosmopolita¿. Acompanhado de um dos cinco filhos e da mulher, Adriana, o governador entrou no plenário do Palácio Tiradentes, no centro, às 10h45, quase uma hora depois do horário previsto. A cerimônia foi rápida.
Em seguida, Cabral foi ao encontro de Rosinha no Palácio Guanabara, na zona sul, para que ocorresse a transmissão de cargo. Às 14 horas, o governador embarcou para Brasília para assistir à posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao discursar no plenário da Alerj, o governador lembrou seus primeiros passos no Legislativo estadual e sua trajetória até chegar ao Senado, onde afirmou ter aprendido a compreender o Brasil. Cabral disse que, durante os dois meses de transição, pôde sentir ¿a torcida de todo o Brasil¿ pelo Rio.
Aliado do presidente Lula, o peemedebista destacou a importância da parceria com o governo federal para o sucesso de sua gestão.
O prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), que viajou no feriado de ano-novo, foi representado pelo vice-prefeito Otávio Leite na solenidade de posse. Cabral fez questão de agradecer a presença da avó, Regina, de 93 anos, e do pai, o jornalista Sérgio Cabral, que estava emocionado. ¿Sempre soube que ele seria político, só não sabia que seria o governante do meu Estado¿, confessou.