Título: 'Não é preciso outro Doutor No'
Autor: Veríssimo, Renata
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/01/2007, Economia, p. B1
Cotado para ser efetivado caso o ministro da Fazenda, Guido Mantega, seja mantido no cargo, o secretário interino do Tesouro Nacional, Tarcísio Godoy, posa como uma versão ¿light¿ de seus antecessores. ¿O marco institucional que temos hoje torna desnecessário haver um outro Doutor No¿, afirmou ele.
O apelido de Doutor No foi dado a Murilo Portugal, que chefiou o Tesouro no governo de Itamar Franco e controlou o cofre federal com mão de ferro, dizendo ¿não¿ à maior parte dos pedidos de verbas dos ministros. Hoje, porém, a própria Lei de Responsabilidade Fiscal impõe limites à expansão do gasto. Ou seja, não é mais o secretário do Tesouro que diz não, e sim a lei.
¿A lei determina que, a cada dois meses, verifiquemos as estimativas de receitas e despesas¿, explicou Godoy. ¿No que estiver fora do previsto, passamos a régua.¿ Por isso, o secretário interino acredita que ¿qualquer um¿ que estiver ocupando o posto garantirá que as contas públicas fechem o ano com superávit primário equivalente a 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB).
Ele afirmou que não será buscado um superávit acima da meta, como na gestão de Antonio Palocci na Fazenda.