Título: Venezuela, Bolívia e Cuba criam bloco paralelo para defender posições na OMC
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/01/2007, Internacional, p. A10

A Venezuela de Hugo Chávez, Bolívia e Cuba coordenam suas posições nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) e, em vários assuntos, começam a adotar estratégias conjuntas. A Bolívia, por exemplo, optou por retirar de sua proposta inicial qualquer possibilidade de abertura de seu mercado de energia, enquanto a Venezuela ameaçou não aceitar um acordo sobre transparência de blocos regionais.

O trabalho de mediar a posição dos três países e do restante da OMC pode acabar no colo do Itamaraty. Cuba, Venezuela e Bolívia fazem parte do G-20, grupo de países emergentes criado pelo Brasil. Venezuelanos criticaram em recentes reuniões internas do G-20 a falta de transparência na participação do Brasil nas conversações com EUA e Europa.

O centro da disputa está a liberalização dos mercados agrícolas. Para tentar salvar o processo, o chanceler Celso Amorim e negociadores europeus e americanos vêm mantendo contato constante, em sigilo.

A idéia é de que, quando esses países tenham encontrado um entendimento entre eles, o acordo entre os 150 países da OMC terá mais chance de conseguir ser aprovado. O Brasil, por exemplo, afirma estar representando os interesses de todo o G-20, ao lado da Índia, que também participa das reuniões privadas. A Venezuela, porém, fez questão de questionar até que ponto o Brasil de fato representava sua posição.

Já nas negociações com outros países da OMC, a posição única de Havana, La Paz e Caracas ficou claro há poucas semanas quando se discutia um acordo de transparência para blocos regionais. A OMC estabeleceu que novos acordos comerciais sejam transparentes e notificados à OMC como forma de garantir que todos saibam o que está ocorrendo nas relações comerciais pelo mundo. Mas, na véspera da conclusão do acordo, os três países se queixaram de que o entendimento não os favorecia. Funcionários da OMC tiveram de se envolver para convencer os representantes dos três países.