Título: Lula diz a movimentos sociais que não deve a reeleição a ninguém
Autor: Paraguassú, Lisandra e Nossa, Leonencio
Fonte: O Estado de São Paulo, 14/12/2006, Nacional, p. A4
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva contou que saiu da eleição com a ¿alma lavada¿, durante encontro ontem com representantes de movimentos sociais e entidades sindicais, no Palácio do Planalto. ¿Não devo a ninguém este mandato¿, afirmou, acrescentando que agora terá mais liberdade para negociar com os movimentos.
Ele também disse que não quer repetir nos próximos quatro anos a ¿mesmice¿ de seu primeiro mandato. Ao insistir em que pretende fazer mudanças no segundo governo, o presidente enfatizou: ¿Não iria me dispor a um segundo mandato para continuar na mesmice. Neste mandato vou destravar o Brasil custe o que custar.¿
A reunião, a primeira com os movimentos sociais depois da reeleição, em 29 de outubro, foi organizada pela Secretaria-Geral da Presidência. Participaram mais de 30 entidades de diferentes áreas. Entre elas o Movimento dos Sem-Terra (MST), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a União Nacional dos Estudantes (UNE).
A Força Sindical, a segunda maior central do País, recebeu convite, mas não enviou representante, por achar que se tratava de um encontro da base de apoio do presidente na área social. ¿Não fazemos parte dessa base¿, disse Paulo Pereira da Silva, presidente da Força.
Durante o encontro, a Coordenação de Movimentos Sociais apresentou um documento com uma lista de reivindicações. Lula respondeu com uma longa explanação sobre o que pretende fazer no segundo mandato. Falou de crescimento, Orçamento e, uma vez mais, dos ¿entraves¿ que vai enfrentar.
¿O presidente chegou a citar sete vezes a palavra destravar¿, contou Toni Reis, da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros, uma das entidades convidadas para a reunião. Lula também teria dito que uma de suas principais missões será ¿desatar os nós de marinheiro que emperram o País¿.
Diante de uma platéia que costuma criticar seu governo pela lentidão nas decisões na área social, Lula afirmou que a burocracia do País o deixa muito irritado. As decisões que ele toma em Brasília, contou, demoram muito para chegar na ponta, nos municípios, quando chegam. ¿Ele falou disso com muita indignação¿, contou João Paulo Rodrigues, da coordenação do MST. ¿Disse que sabe que isso prejudica muito os movimentos sociais e esse é um dos pontos que pretende destravar.¿
Lula ainda mostrou preocupação com o tamanho do Orçamento. Comentou que sabe da existência de uma montanha de demandas à espera de atendimento, mas sempre falta dinheiro. ¿Ele disse que vai construir uma agenda com todas as áreas para ver quais são as prioridades e de onde tirar dinheiro¿, contou João Paulo.
Um dos motivos do encontro era dar oportunidade a Lula para agradecer o apoio que recebeu dos movimentos sociais e grupos sindicais no segundo turno. Em determinados setores do PT e no Planalto acredita-se que isso foi decisivo para a conquista de 60,8% dos votos.
De acordo com os relatos dos participantes, depois de agradecer o apoio recebido, o presidente disse a seus convidados para que o vejam como um companheiro. ¿Aqui dentro do palácio não estão os adversários de vocês, aqui estão os companheiros¿, teria dito.
Lula também prometeu manter sempre uma ¿relação franca¿ com os movimentos sociais. Chegou até a falar na hipótese de repetir periodicamente reuniões como a de ontem. Para os próximos meses já estão agendadas reuniões por setores da área social e sindical.
FRASES
Luiz Inácio Lula da Silva Presidente ¿Não devo a ninguém este mandato¿
¿Vou destravar o Brasil custe o que custar. Não iria me dispor a um segundo mandato para continuar na mesmice¿
¿Aqui dentro do palácio não estão os adversários de vocês, aqui estão os companheiros¿