Título: Serra apóia plano para Kassab comandar
Autor: Scinocca, Ana Paula
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/01/2007, Nacional, p. A9

Ganhou força dentro do PFL um movimento para tornar o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, presidente do partido. Além de contar com suporte de caciques pefelistas, o plano tem também apoio fora da sigla. Um dos principais incentivadores da candidatura de Kassab é o governador José Serra. O tucano tem interesse no fortalecimento político de Kassab, transformando-o, assim, no candidato natural do PSDB e do PFL na corrida pela Prefeitura de São Paulo em 2008. A situação deixaria mais complicada a vida do candidato derrotado do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, que já admite o interesse pelo comando da maior cidade do País.

Embora o tema seja tratado com reserva no PFL, a sucessão interna já esquentou. Além de Kassab, o líder do partido na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), também almeja presidir a sigla, embora não admita oficialmente.

Maia teria o apoio do atual presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (há 13 anos no comando da legenda), e do próprio pai, o prefeito do Rio, César Maia. Há quem exagere dentro do PFL ao avaliar que a disputa Kassab versus Maia pode realimentar a rivalidade entre Rio e São Paulo.

A escolha do novo presidente do PFL está marcada para abril. 'O assunto não está sendo tratado neste momento. Está tudo parado', assegura o líder do partido na Câmara. 'Agora, estamos concentrados na escolha dos novos líderes do partido e na eleição das Mesas da Câmara e do Senado. Não existe candidato colocado.'

Em São Paulo, porém, as conversas sobre a sucessão pefelista estão a todo vapor. O tema é recorrente nas conversas não apenas na prefeitura, mas também no Palácio dos Bandeirantes.

Serra não vai se pronunciar sobre o assunto oficialmente, mas nos bastidores tem atuado em favor de Kassab. Já chegou a comentar o tema com o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que quer ver o neto ACM Neto (PFL-BA) na liderança do partido na Câmara.

'Kassab está se articulando e tem o apoio discreto de Serra. O apoio do governador não poderia ser diferente, já que ele é de outro partido. Seria intromissão, uma atitude inadequada', diz um interlocutor do tucano. 'Mas é claro que a candidatura de Kassab tem a simpatia de Serra.'

Até dentro do PT há quem comemore o fortalecimento político do prefeito. Com a ex-prefeita Marta Suplicy provavelmente fora da disputa municipal (se for chamada para ocupar um ministério, não poderá concorrer no ano que vem por determinação do presidente), o PT não tem um nome de ponta para a prefeitura.

'Kassab fortalecido tem ainda mais apoio do Serra e provoca um racha no PSDB, já que parte da legenda gostaria de ver Alckmin na disputa', explica um petista paulista com trânsito no Planalto. Serra e Alckmin têm rivalizado desde o ano passado, quando brigaram pela candidatura presidencial. Alckmin ficou com a vaga, mas perdeu a eleição.