Título: CNI vê sinal de reativação industrial
Autor: Veríssimo, Renata
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/12/2006, Economia, p. B3

O quarto trimestre deste ano deve ser marcado pela intensificação da atividade industrial, segundo avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os indicadores de outubro, divulgados ontem, mostram expansão das vendas e das horas trabalhadas sem aumento do uso da capacidade instalada das fábricas, o que indica que a recuperação não traz riscos de pressão inflacionária. A abertura de postos de trabalho também aumentou, mantendo a tendência dos últimos meses.

Tanto as vendas reais quanto as horas trabalhadas registraram as maiores taxas de crescimento deste ano na comparação com o mesmo mês do ano passado. As vendas da indústria de transformação cresceram 1,69% em outubro, na comparação com setembro, descontando os efeitos sazonais, e de 10,74% em relação a outubro de 2005.

No acumulado de janeiro a outubro, a alta é de 1,43% em relação a igual período de 2005. As horas trabalhadas, indicador mais diretamente associado à produção, aumentaram 1,23% na comparação com setembro, e 6,02% em relação a outubro de 2005. No acumulado do ano, as horas trabalhadas na produção cresceram 1,77%.

'Se ao longo do ano o crescimento foi moderado, outubro mostra recuperação', observou o economista da CNI Paulo Mol. 'Os dados acabam sendo um bom indicador do que se espera para o fim do ano, quando há um maior crescimento industrial. As vendas e a produção sinalizam que as encomendas que vieram do varejo foram boas e devemos ter um quarto trimestre melhor que os anteriores.'

Para Mol, a demanda de fim deste ano deve ser mais forte que a de 2005. 'O Natal deve ser melhor que o de 2005, mas nada que vá explodir', avaliou. Ele atribui esse aquecimento à queda dos juros e ao aumento da renda das famílias.

O economista-chefe da CNI, Flávio Castelo Branco, acredita que a recuperação da atividade industrial no quarto trimestre não deve ser suficiente para provocar o aumento da estimativa de projeção da CNI para o crescimento da economia, de 2,9% em 2006.

Para a CNI, as vendas da indústria em outubro são especialmente fortes porque a base de comparação é alta. As vendas já haviam crescido 1,79% em setembro, embora os dados do IBGE sobre a produção industrial no mesmo mês tenham sido negativos.

IBGE

Castelo Branco acredita que os números do IBGE de outubro, que serão divulgados hoje, também devem mostrar uma intensificação na atividade industrial. A CNI mede as vendas, por meio do faturamento das empresas, e as horas trabalhadas na produção, enquanto o IBGE avalia a produção física. Também há diferença no método de dessazonalização.

O uso da capacidade instalada da indústria tem sido pouco afetado pelo aquecimento da atividade. Segundo Castelo Branco, os números podem estar indicando a maturação de investimentos. O indicador manteve-se praticamente estável nos últimos seis meses, oscilando em torno de 82%. Em outubro, foi de 81,8% descontando os efeitos sazonais.

Para o economista, a folga no parque fabril dá mais segurança aos empresários para investir mais. Ele garante que não haverá impacto na inflação em caso de aumento da demanda.

O número de empregos na indústria subiu 0,53% em outubro em relação a setembro e 3,28% na comparação com outubro do ano passado. No acumulado do ano, o emprego industrial apresentou expansão de 1,88% na comparação com o período de janeiro a outubro do ano passado.