Título: IPCA chega a 3,14% e fica abaixo da meta
Autor: Farid, Jacqueline
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/01/2007, Economia, p. B1

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2006 com alta de 3,14%, bem abaixo da meta estabelecida pelo Banco Central, de 4,5%. A taxa foi a menor apurada desde 1998. Para a coordenadora de índices de preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes dos Santos, o ano marcou o ¿fim da cultura inflacionária¿ no Brasil e deixou no passado a indexação de preços.

O IPCA só havia ficado no centro da meta uma vez, em 2000 - meta de 6% e taxa de 5,97% -, desde que foi implantado o sistema de metas de inflação no País, em 1999. Mas nunca tinha ficado tão abaixo do objetivo oficial. Segundo Eulina, três fatores foram fundamentais para garantir o bom comportamento dos preços em 2006: safra agrícola farta, dólar baixo e tarifas administradas sem pressões de alta.

A safra de 116,6 milhões de toneladas permitiu um aumento acumulado de apenas 1,22% nos preços dos produtos alimentícios em 2006, a menor variação desse grupo na série do IPCA no Plano Real (desde 1994), equivalente apenas à variação em 1997, também de 1,22%.

O câmbio contribuiu para manter os preços dos alimentos controlados e manteve reduzido o IPCA de itens como artigos de limpeza (-2,29%) e aparelhos de TV, som e informática (-12,07%). No caso dos administrados, houve queda de 0,83% na inflação da telefonia fixa, fato inédito desde o início do Plano Real.

Com 0,28%, os preços da energia elétrica ficaram praticamente estáveis em 2006. Os combustíveis, que subiram 2,3%, também contribuíram para conter a inflação no ano, segundo Eulina.

Para ela, mais importante do que o IPCA de 2006 ter sido o menor desde 1998, é o forte recuo na taxa em comparação a 2002 (12,53%), ano em que a iminência de sucessão presidencial marcou um perigoso avanço na inflação brasileira, após ter sido domada pelo Plano Real. Os números do ano passado, segundo Eulina, mostram que os esforços para recuo dos preços empreendidos pela equipe econômica desde 2003 foram bem-sucedidos.

MUNDO

Um estudo da empresa de classificação de risco Austin Rating revela que a inflação brasileira em 2006 foi a terceira mais baixa da América Latina, superior apenas à do Peru (2,4%) e do Panamá (2,8%). O IPCA, porém, ainda é mais alto do que os índices ao consumidor da maioria dos países desenvolvidos.

Na Zona do Euro, por exemplo, o índice deve ter fechado 2006 em 2,3%, segundo projeção do banco UBS. No Japão, deve ter ficado em 0,2%. Os EUA são exceção: para o UBS, o índice de preços ao consumidor (que será divulgado na próxima semana) foi de 3,6% em 2006.