Título: Crédito a empresas é prioridade
Autor: Fernandes, Adriana e Monteiro, Tânia
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/01/2007, Economia, p. B1
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu aos ministros da área econômica que estudem a ampliação da oferta de crédito para as empresas privadas, disse ontem ao Estado o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. ¿O presidente quer que se faça um esforço para ampliar o crédito para pessoa jurídica¿, disse Bernardo, que reiterou a meta do governo de elevar a oferta do crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) para cerca de 50% até 2010, o que hoje significaria disponibilizar no sistema financeiro cerca de R$ 1,06 trilhão. A meta definida por Lula representa duplicar a relação crédito/PIB que vigorava no início do primeiro mandato.
O governo avalia, segundo Paulo Bernardo, que a oferta de financiamentos para pessoa física está ¿equacionada¿e o alvo, agora, é a ampliação de crédito às empresas. Os bancos oficiais, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), como explicou, serão parte importante da estratégia para atingir esse objetivo. Mas o objetivo do governo é estimular os bancos privados a ofertar maior volume de crédito ao segmento pessoa jurídica.
O ministro não quis, entretanto, adiantar quais serão as medidas, mas destacou que a melhora do ambiente de negócios é fundamental. Segundo ele, é prioridade entre os esforços do governo a aprovação da regulamentação das agências reguladoras. O projeto é considerado importante por analistas para dar um horizonte maior de previsibilidade para o empresariado, o que afeta o ímpeto para investir e, conseqüentemente, a demanda por crédito para viabilização dos investimentos. Bernardo lembrou que o governo já vem trabalhando nesse sentido com medidas como a aprovação da Lei de Falências e, mais recentemente, da abertura do mercado de resseguros.
Paulo Bernardo contestou análises de que o PAC não vai resultar em elevação dos investimentos privados e disse que, entre as medidas de incentivo, está a redução para dois anos do prazo de utilização do crédito do PIS/Cofins cobrado nas obras de unidades produtivas. Atualmente, ao construir uma fábrica, o empresário leva de 20 a 25 anos para recuperar os 9,25% de PIS/Cofins pagos na obra.
NÚMEROS
R$ 1,036 trilhão
é a meta do governo para o total de crédito na economia brasileira ao final do segundo mandato do presidente Lula, em 2010
50% será a relação crédito/Produto Interno Bruto caso a meta do governo seja atingida. Hoje, esse porcentual está acima de 33%
2 anos será o período para a utilização de crédito de PIS/Cofins na construção de unidades produtivas. Atualmente, o prazo varia de 20 a 25 anos. A mudança será efetuada pelo PAC