Título: Bancos dobram volume de crédito para casa própria
Autor: Sobral, Isabel
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/01/2007, Economia, p. B3

As instituições de crédito imobiliário com recursos da caderneta de poupança já projetam crescimento a passos largos em 2007, depois do bom resultado obtido em 2006.

Ano passado, os financiamentos dos bancos, incluindo a Caixa Econômica Federal, cresceram 95,5%, para R$ 9,48 bilhões, e o número de unidades financiadas, de 115.523, foi o maior desde 1988. Para 2007, a estimativa é chegar a R$ 11 bilhões com até 150 mil unidades, disse Décio Tenerello, presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Luiz Antonio Rodrigues, da Diretoria de Crédito Imobiliário do Banco Itaú, disse que o banco somou R$ 1,4 bilhão em crédito imobiliário em 2006 e planeja crescer de 20% a 30% este ano.

Tenerello acredita que as construtoras vão se voltar para imóveis entre R$ 70 mil e R$ 200 mil e que os fatores que garantiram bons resultados em 2005 e 2006 vão influenciar o mercado este ano.

¿Compradores e bancos têm mais confiança na sua relação contratual por causa de mudanças na lei em 2004 que impedem perdas como as ocorridas no caso Encol¿, ele diz. Além disso, o custo de construção deve ter novas reduções se for mantida a política de corte da taxa básica de juros . ¿Outro fator é que a massa salarial teve aumento real de 4% em 2006, o que aumenta a procura¿, disse Tenerello. ¿Tudo isso faz com que os bancos passem a olhar o crédito imobiliário como negócio e não mais como obrigação¿, conclui.

Prova disso é que os bancos investiram para melhorar o atendimento e atrair mais clientes. Rodrigues, do Itaú, diz que o banco atacou a burocracia. O prazo de fechamento de um contrato, que em 2000 era de até um ano, agora pode ser de apenas 20 dias. Além disso, o banco reduziu os juros de 12% para 8% nos três primeiros anos dos contratos de até R$ 100 mil. Outra simplificação foi oferecer aprovação de crédito pela internet.

Os bancos contam também com o aumento dos depósitos em poupança para ampliar a oferta de financiamentos. A caderneta, diz Rodrigues, vem atraindo depósitos porque está competitiva diante de títulos bancários como os CDBs. ¿Se o governo não tomar medidas para reduzir o ganho da caderneta, os depósitos vão crescer muito e os financiamentos imobiliários também, porque os bancos são obrigados a destinar ao crédito imobiliário 65% da poupança¿, diz ele.

Tenerello cita ainda que o setor pleiteia desonerações tributárias sobre as operações e espera que elas sejam incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC. Para os compradores, é pedida isenção de CPMF e do ITBI (o imposto municipal pago no registro do imóvel); para os bancos, isenção de PIS, Cofins e Finsocial; para as construtoras, ampliação da cesta de materiais que tem isenção de ICMS.

¿Queremos também a liberação de um volume maior para oferta de financiamento via FGTS¿, diz Tenerello. No Sistema Financeiro da Habitação, que soma operações com recursos do FGTS e da poupança, o financiamento de R$ 16,3 bilhões foi o maior em 20 anos.