Título: Programa de recompra de dívida externa é estendido
Autor: Fernandes, Adriana
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/01/2007, Economia, p. B3

O governo federal anunciou ontem a renovação do programa de recompra de títulos da dívida externa iniciado em 2006. A partir de agora, o programa será permanente, com a novidade que o Tesouro Nacional poderá adquirir no mercado internacional qualquer título, independentemente do seu prazo de vencimento. A renovação foi antecipada pelo Estado no sábado.

Na fase inicial do programa,entre janeiro e dezembro de 2006, o governo recomprou apenas títulos de curto prazo (com vencimento até 2012) e os Bradies (papéis lançados nos anos 90 na reestruturação da dívida externa depois da moratória da década de 80). Ao longo do ano, o Tesouro adquiriu das mãos dos investidores US$ 6,1 bilhões em títulos de curto prazo e US$ 6,5 bilhões de Bradies.

Essas compras proporcionaram uma redução de US$ 8,5 bilhões na necessidade de pagamento da dívida externa entre 2006 e 2024, a maior parte no período do segundo mandato do presidente Lula, entre 2007 e 2010.

O secretário-adjunto do Tesouro, Paulo Valle, explicou que a principal razão de o governo ampliar a abrangência do programa para papéis de longo prazo é que alguns deles são considerados 'ineficientes'. Ele disse ainda que, apesar da recompra, o governo vai continuar lançado novos papéis no mercado internacional.

Segundo Valle, as novas emissões terão a finalidade apenas de melhorar o perfil da dívida externa, alongando prazos e barateando o custo do endividamento para os cofres públicos. 'Serão emissões qualitativas', disse o secretário, responsável pela área do Tesouro que cuida da administração da dívida.

REPERCUSSÃO

O anúncio do Tesouro já era esperado por muitos estrategistas do mercado internacional. 'Isso é algo que temos previsto desde outubro do ano passado', disse Luis Costa, analista do banco ING na City Londrina, em nota para clientes. 'O cenário é simplesmente perfeito para outra rodada de recompras.'

Segundo ele, 'outra rodada de recompra ainda no primeiro trimestre ou segundo trimestre é um componente importante de nosso cenário básico para a dívida emergente'. 'Caso isso se materialize, espere ainda mais pressão baixista sobre os spreads dos créditos dos emergentes.'