Título: Antes das medidas, construção civil já faz planos ambiciosos
Autor: Otta, Lu Aiko
Fonte: O Estado de São Paulo, 21/01/2007, Grupo fiscalista sai derrotado, p. B4
Os estímulos à habitação contidos no Plano de Aceleração do Investimento (PAC) já ampliaram as perspectivas de crescimento das construtoras voltadas para imóveis populares e para a classe média, revendas e fabricantes de material de construção.
A Halna Comércio e Empreendimentos Ltda, por exemplo, vai mais que triplicar o total de imóveis novos à venda neste ano. A construtora, no mercado desde 1980, planeja colocar no mercado R$ 70 milhões em imóveis. No últimos anos, a média da construtora foi de R$ 20 milhões por ano.
'Vamos dar um salto', afirma o sócio-diretor da empresa, Arnaldo Halpern. A companhia tem um empreendimento em construção com 384 apartamentos no bairro do Jaguaré, em São Paulo, com preços entre R$ 120 mil e R$ 230 mil, além de imóveis com preços mais altos, tanto no segmento residencial quanto no de escritórios.
Mas, segundo Halpern, o foco dos negócios da companhia neste ano serão os imóveis residenciais populares, entre R$ 70 mil e R$ 130 mil. 'Vamos olhar para o Brasil, para as cidades do interior do Estado de São Paulo e do Rio.' A empresa já tem dois empreendimentos nesse perfil engatilhados para 2007.
A MRV Engenharia, construtora mineira há 27 anos no mercado, com foco em apartamentos entre R$ 60 mil e R$ 120 mil, não revela os números para este ano, mas já se prepara para abrir o capital. E deve ganhar musculatura para ampliar sua atuação, diante do cenário favorável.
'Independentemente das medidas contidas no PAC para o setor da construção, ele vai contribuir para melhorar as perspectivas', diz o vice-presidente da empresa, Eduardo Barretto. O executivo acredita que, com o estímulo ao crescimento, o cliente terá mais tranqüilidade para assumir financiamentos de 240 meses.
Halpern observa que a maior dificuldade para vender imóveis para a classe média e camadas com menor renda é a elevada taxa de juros e os prazos menores de financiamento. 'Na Europa a taxa dos financiamentos imobiliários é o dobro da inflação. Aqui é quatro vezes maior do que a inflação', compara.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Melvyn Fox, diz que a expectativa é de que o setor, que faturou no ano passado R$ 100 bilhões e cresceu 6% ante o ano anterior, amplie em 8% as vendas neste ano.
'Temos indicações claras de que mais itens de materiais de construção serão desonerados.' Até agora, 41 itens já foram desonerados do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Mas faltam cimento, telhas, fechaduras, tijolos, entre outros.
Segundo Fox, com o estímulo à construção civil, não haverá necessidade de ampliar investimentos na indústria para dar conta da demanda sem pressão de preços. 'Hoje temos uma ociosidade de 30% nas fábricas.'
O presidente do Conselho da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Roberto Breithaupt, espera a desoneração de outros materiais. Hoje, diz, a metade do preço do saco de cimento é imposto.