Título: Chávez diz que não está seguindo Fidel
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Fonte: O Estado de São Paulo, 29/01/2007, Internacional, p. A8
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou ontem em seu programa Alô, Presidente que o aumento no preço da gasolina, anunciado no dia 22, não afetará o transporte público, cujo combustível continuará sendo subsidiado pelo governo. ¿Meu plano é aumentar de maneira racional a gasolina sem afetar o preço dos alimentos¿, afirmou.
Em um programa de mais de 5 horas, Chávez também assegurou que manterá o preço das passagens dos ônibus, assinalando que cogita diminuir o valor das passagens de trem e do metrô para estimular o uso de transporte coletivo.
Com o preço subsidiado pela estatal PDVSA, os venezuelanos compram hoje a gasolina mais barata do mundo, que não sofre um aumento desde 1997. Normalmente, a conta sai por 4 mil bolívares - menos de R$ 4. Segundo Chávez, esse preço baixo acaba fomentando o desperdício diário de milhares de barris de petróleo, que seriam contrabandeados para os países vizinhos.
No programa, Chávez também afirmou que o projeto socialista que tem para o país é diferente do modelo cubano e que respeitará a economia mista. ¿Aqueles que pretendem insinuar que estou seguindo os passos do (líder cubano) Fidel Castro não têm idéia de como avançam os processos históricos¿, disse em um discurso de mais de cinco horas.
Chávez também negou que pretenda confiscar propriedades privadas, como carros de luxo ou residências da classe alta venezuelana, apelando para que a população não tema as iniciativas para implantar o que chama de ¿socialismo do século 21¿. ¿Se alguém tiver de ter medo, que tenha do capitalismo, que destrói a sociedade e o planeta¿, afirmou.
Há uma semana, Chávez anunciou que pretende criar um imposto sobre artigos de luxo, com o objetivo de distribuir a riqueza e financiar os conselhos comunais.
No programa, Chávez aproveitou para denunciar a oposição, dizendo que ela planeja ações violentas para protestar contra a decisão de seu governo de não renovar a concessão da RCTV, emissora crítica ao presidente.
No sábado, centenas de pessoas se manifestaram a favor da RCTV. O presidente da empresa, Marcel Granier, assegura que a concessão não vence em maio, como alega o governo, mas em junho de 2022.