Título: Empresa brasileira deve usar recursos e ações da Corus para bancar negócio
Autor: Brito, Agnaldo
Fonte: O Estado de São Paulo, 29/01/2007, Negócios, p. B8

A maior parte da dívida para a compra da Corus, caso a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) vença a disputa com a Tata, será colocada no próprio balanço da Corus. Algo como US$ 8 bilhões terão como garantia os ativos e o fluxo de caixa da empresa na Europa. O restante da dívida, cerca de US$ 2 bilhões, será assumido pelo balanço da CSN no Brasil.

Segundo apurou o Estado, a divisão da dívida seria possível com a decisão da CSN de transformar a Corus numa subsidiária independente da operação brasileira e vender ações no mercado internacional. O dinheiro arrecadado com as ações serviria para abater a dívida. Em um segundo momento, estuda-se até a possibilidade de a Corus, que teria capital aberto em Londres, incorporar a CSN, para aproveitar benefícios fiscais.

A CSN não se pronunciou sobre o assunto. Por enquanto, a única decisão anunciada pela empresa é concentrar a dívida que seria contraída para a compra da Corus no balanço da própria siderúrgica européia. A direção da companhia acredita que a CSN ficaria, desta forma, preservada de um aumento acentuado do endividamento, já que teria uma vida à parte.

Por outro lado, a Corus suportaria o súbito crescimento da dívida com uma estratégia desenhada pela companhia brasileira, que cederia minério de ferro e produtos semi-acabados para laminação na Europa a baixo custo. Isso produziria um resultado positivo no caixa da Corus, que daria à empresa capacidade de suportar a elevada dívida.

A dúvida no mercado financeiro é se a estratégia evitaria efeitos colaterais na CSN, ou seja, se ela conseguiria preservar seu balanço das novas dívidas.¿Essa estratégia de blindar a CSN de uma eventual avaliação negativa das agências de risco não será entendida desta maneira. A companhia deverá sim ser afetada com um endividamento deste tamanho¿, disse uma analista de mercado.