Título: Fruet prega que Câmara saia do 'noticiário policial'
Autor: Macedo, Fausto
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/01/2007, Nacional, p. A8
Gustavo Fruet (PSDB-PR), candidato da terceira via na corrida pela presidência da Câmara, disse que ¿essa foi a Câmara da negação, da não decisão, o período de menor produtividade nos últimos anos¿. Pregou que a Câmara saia ¿da pauta negativa, do noticiário policial para entrar no noticiário político¿.
No debate de ontem em São Paulo com seus oponentes, Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Arlindo Chinaglia (PT-SP) - integrantes da base aliada do governo Lula no Congresso -, Fruet voltou a criticar o fato de o Palácio do Planalto aguardar a eleição na presidência da Câmara para compor o novo ministério.
¿O governo assume que só vai nomear o ministério após a eleição da Mesa¿, observou o tucano. ¿Não existe isso em país democrático, onde a relação dos Poderes está regularmente funcionando. É uma forma de premiar aliado vencedor e consolar aliado democrático.¿
Fruet criticou Chinaglia por ter recebido apoio de mensaleiros. ¿Onde há homem, há virtude e vício¿, rebateu o petista.
Aldo reagiu aos ataques à Casa que preside há dois anos: ¿É errada e injusta a idéia de que a Câmara é um poder improdutivo. A Câmara faz em quatro anos o número de sessões que o Parlamento alemão leva 40 anos para fazer. A Câmara está entre os 3 parlamentos do mundo que realizam maior número de sessões, que aprovam o maior número de projetos, 300 ou 400 no ano passado, 20 medidas provisórias em um dia.¿
Ele disse que seu trunfo maior para tentar alcançar a recondução está na sua trajetória de independência. ¿Não tem diploma de credibilidade que a Câmara possa colocar na parede, a credibilidade tem que ser tirada todo dia, com trabalho, atos e transparência.¿
Quando entrou em pauta a discussão sobre a tentativa de reajustar em 91% os salários dos parlamentares, Aldo foi taxativo: ¿Cabe registrar que essa questão da correção do subsídio parlamentar foi adotada em reunião da Mesa com a presença de todos os líderes das bancadas, com exceção do PT, do PV e do PSOL. Todos os demais líderes apoiaram a proposta.¿
Ele considerou ¿prudente¿ o debate sobre o reajuste ter sido deixado de lado e reiterou: ¿Defendo o congelamento dos salários dos ministros do STF até que seja estabelecido o teto para todos. Tudo deve ser feito com transparência, tranqüilidade, equilíbrio.¿
Sobre a proposta para abertura de todos os gastos realizados pelos gabinetes dos parlamentares, Arlindo Chinaglia destacou: ¿Não vejo problema com relação a disponibilizar as notas fiscais. Parto do pressuposto da correção. Tem o velho ditado: quem não deve não teme. Não temos compromisso com o erro.¿
Ele disse que, se for presidente da Câmara, vai procurar os chefes dos outros Poderes ¿para saber também o que pensam e, a partir daí, fazer um debate público com a sociedade¿. Para Chinaglia, foi um ¿erro gravíssimo¿ a Câmara não ter submetido a voto em plenário a questão do reajuste. ¿É o que permite o debate público, permite que a sociedade faça o controle.¿
Fruet condenou o grande volume de medidas provisórias. ¿Num caso extremo o jeito é convocar sessões extraordinárias para desobstrução da pauta. Isso pode até gerar um confronto de decisão entre os Poderes de caráter institucional. Mas o que não dá mais é ficar a reboque de um excesso de MPs, a cada quatro dias uma MP. Chegamos à banalização do instrumento, é usurpação de poder. O Congresso tem que mostrar independência.¿