Título: Mercado vê ciclo mais longo de queda
Autor: Fernandes, Adriana e Freire, Gustavo
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/02/2007, Economia, p. B1
O economista-chefe da Corretora Concórdia, Élson Teles, avalia que as incertezas levantadas pelo Copom não serão suficientes para interromper a trajetória de queda dos juros. ¿Pelo menos até o fim do primeiro semestre, podemos contar com a continuidade dos cortes. Mas a possibilidade da magnitude das reduções voltar a ser de 0,50 ponto porcentual é praticamente inexistente¿, afirmou.
Teles não descarta a hipótese de interrupção da queda no segundo semestre. ¿Vai depender dos indicadores que sairão até lá. Se a pressão da inflação de curto prazo se dissipar, se o nível de atividade crescer abaixo do potencial, podemos imaginar a continuidade dos cortes ainda na segunda metade de 2007¿, comentou.
Entre os analistas de bancos estrangeiros, a ata confirmou a avaliação majoritária de que, ao reduzir o ritmo de cortes da Selic, o Banco Central pretende alongar o ciclo de relaxamento monetário. Mas há divergências sobre o fôlego da redução ao longo de 2007.
Para o economista sênior do banco Dresdner Kleinwort (DKIB), Nuno Camara, o tom da ata ¿foi muito neutro e, apesar da divisão dos votos no Copom, sem controvérsia¿. Segundo ele, o efeito retardado da política monetária, a política fiscal expansionista e o crescimento robusto na demanda agregada justificaram o corte menor.
¿Foi a melhor decisão porque é justamente por causa das políticas ortodoxas do BC que as taxas deverão continuar caindo, pois a perspectiva para a inflação continua positiva¿, disse Camara. ¿Com isso, nossa aposta para uma Selic em 11,25% no fim de 2007 permanece.¿
O economista-chefe do HSBC no Brasil, Alexandre Bassoli, prevê que a Selic atingirá 12% em julho e após isso permanecerá inalterada até o fim do ano. Ele não descarta a hipótese de a taxa cair um pouco mais até dezembro, mas está pessimista com o crescimento potencial da economia. ¿Achamos que o potencial de crescimento do PIB é possivelmente inferior a 3%¿, disse. ¿Há uma pequena capacidade ociosa a ser ocupada, mas desequilíbrios poderão emergir se o crescimento acelerar para além dos 3,5%.¿
Para Alberto Ramos, do Goldman Sachs, o BC está confortável com a inflação e vê espaço para continuar reduzindo a Selic. O cenário mais provável, segundo ele, é de mais três cortes de 0,25 ponto em março, abril e maio. ¿Mas, diante da perspectiva benigna para a inflação e a sinalização do BC de um ciclo mais longo de cortes moderados, não descartamos a possibilidade de mais dois cortes de 0,25 ponto, desde que a inflação e suas expectativas continuem consistentes com a meta¿, disse Ramos.