Título: São Paulo na rede
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/02/2007, Notas e Informações, p. A3

O programa de inclusão digital da Prefeitura Municipal de São Paulo será ampliado. Ainda neste mês, começarão a ser instalados em bairros periféricos da capital 61 telecentros - 13 na zona sul, 11 na leste, 9 na norte e 3 na oeste. Serão contempladas pela Secretaria de Participação e Parceria as regiões da cidade que têm o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Os bairros escolhidos abrigam 4,8 milhões de pessoas, sendo que 1,3 milhão tem entre 10 e 24 anos - classificados como usuários em potencial - e 1,7 milhão é de chefes de família com renda mensal de até três salários mínimos. A expansão do programa dará a essa população a possibilidade de participar de cursos de capacitação e de ter acesso aos serviços da rede. Com a iniciativa, a cidade passará a contar com 223 telecentros, firmando-se como a detentora do maior programa de inclusão digital da América Latina.

Os centros da rede pública de comunicação e informação por meio da internet funcionam das 8 às 17 horas e 75% desse tempo é tomado por cursos de computação e profissionalizantes. Atendidos por orientadores especialmente treinados, os usuários podem desenvolver novas habilidades e competências. Para aqueles que já têm noções de Informática, os telecentros promovem oficinas de capacitação para inserção no mercado de trabalho, arte digital, educação ambiental, criação de sites, processamento de imagens e outras. No restante do período de funcionamento das unidades, a população pode ter acesso a sites (menos os de conteúdo pornográfico), pesquisas escolares, serviços de e-mail e de bancos. Cada freqüentador do telecentro pode usar os equipamentos por períodos de até 45 minutos.

O plano de inclusão digital foi iniciado no governo Marta Suplicy, em 2001, como parte da instalação do governo eletrônico. Para atender ao objetivo de oferecer transparência e eficiência à administração municipal, havia a necessidade de tornar a informação mais ágil. No entanto, apenas 20% da população tinha acesso freqüente à internet. Assim, para levar a informação às áreas de maior carência, o portal da Prefeitura foi reorganizado e os primeiros telecentros instalados nas áreas de pior IDH. O primeiro deles foi inaugurado em Cidade Tiradentes, uma das regiões mais violentas de São Paulo.

Nesses cinco anos, porém, os resultados do programa evidenciaram que, mais do que capacitação profissional e inclusão digital, os benefícios proporcionados pelos telecentros às populações de bairros carentes incluem a revitalização dos espaços públicos, redução da criminalidade e mudanças de comportamento, principalmente em relação à cultura.

A instalação de um telecentro na Biblioteca Pública Afonso Schmidt, na Freguesia do Ó, na zona norte de São Paulo, por exemplo, fez crescer de forma surpreendente a freqüência na biblioteca (212%) e o interesse dos usuários pelos livros. Hoje 7,8 mil pessoas passam pelo local a cada mês - 5,3 mil a mais do que o número registrado em maio de 2006, quando o telecentro foi instalado. No mesmo período, o total de livros emprestados mensalmente passou de 1.380 para 7.790.

Os telecentros também passaram a ser um instrumento importante nos projetos de combate à violência. Em dezembro, a construção de 9 centros foi anunciada como parte das ações da Prefeitura para o plano piloto de segurança municipal, realizado em parceria com o Instituto Sou da Paz. A iniciativa visa à prevenção da criminalidade e à promoção da convivência pacífica nos bairros como Brasilândia (zona norte), Grajaú (zona sul) e Lajeado (zona leste).

O Grajaú, por exemplo, detém a quarta maior taxa de mortalidade por homicídio entre homens de 15 a 19 anos. A criminalidade envolvendo jovens e a falta de desenvolvimento são os principais problemas da Brasilândia. Por fim, no Lajeado, a violência doméstica é uma das principais questões que atormentam a população, conforme análise que orientou a elaboração do plano. Ao oferecer a inclusão digital à população carente, a Prefeitura tira das ruas jovens que, sem essa ocupação, poderiam se tornar marginais. A instalação dos centros, seja em sedes próprias, seja em parques, centros de convivência ou clubes municipais, também valoriza o entorno, reduzindo a desordem urbana.