Título: Inundações afetam 75% da capital Indonésia
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/02/2007, Internacional, p. A14

Inundações causadas por pesadas chuvas afetaram até 75% de Jacarta, capital da Indonésia, informou ontem Anuar Arifin, do Centro de Informações de Jacarta, acrescentando que o número de mortos subiu para 29. Aproximadamente 340 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas.

Pelo menos três metros de água continuavam cobrindo ontem as áreas residenciais e comerciais mais baixas da capital. A mais forte tempestade atingiu a capital na semana passada e elevou o nível dos rios, provocando seu transbordamento. Centenas de milhares de moradores permaneciam sem eletricidade e água ontem. ¿Jacarta está no nível máximo de alerta¿, disse Sihar Simanjuntak, que supervisiona o nível dos vários rios da cidade.

Mais de 50 mil moradores de Jacarta buscaram tratamento para várias doenças, principalmente diarréia, nos dois últimos dias, informaram funcionários do governo. Eles acrescentaram que montaram um programa de emergência para monitorar as doenças mais graves. ¿Tememos um surto de diarréia e doenças provocadas pelos ratos¿, disse o médico Rustam Pakaya. O governo enviou várias equipes médicas em botes infláveis aos distritos mais afetados, onde os moradores vivem em precárias condições sanitárias e sem água potável. As autoridades médicas disseram que as inundações podem complicar as medidas que estão sendo adotadas contra a gripe aviária, que já matou 63 pessoas no país.

A Indonésia - um arquipélago de 17 mil ilhas - regularmente enfrenta inundações durante a época das chuvas, mas a devastação dos últimos dias em Jacarta é a pior em cinco anos. As autoridades estimam que entre 40% e 75% da cidade - que ocupa uma área de 660 km² - estão sob as águas. Mais de 20 mil casas, escolas e hospitais em diferentes distritos da capital ficaram submersos.

Ontem, o céu claro e a redução das águas em algumas partes da cidade de 12 milhões de habitantes permitiram que os moradores das áreas mais altas limpassem suas casas. Mas funcionários do serviço de meteorologia advertiram que Jacarta pode enfrentar mais chuvas intensas até o fim do mês.

As áreas mais pobres, onde milhares de pessoas vivem amontoadas em casas construídas com restos de madeira e chapas de metal, foram as mais devastadas e o acesso era possível somente por meio de barcos. Funcionários do Comitê Internacional da Cruz Vermelha entregaram alimentos e água às pessoas que ficaram isoladas. ¿Passamos fome durante dois dias¿, disse Sri Hatyati, que foi resgatada ontem pelos soldados. ¿Tudo o que tínhamos era macarrão cru. Não podíamos ir para nenhum lugar.¿ O Exército anunciou ter deslocado mais de 4 mil soldados e fornecido dezenas de botes e caminhões para ajudar os moradores.

Ambientalistas atribuem as inundações anuais a bueiros e rios repletos de lixo, falta de planejamento urbano e desmatamento das montanhas no sul da cidade, geralmente para a construção de condomínios de luxo. ¿As autoridades entregaram autorizações de construção, apesar de claras transgressões às normas¿, publicou ontem o jornal The Jakarta Post.

O governador de Jacarta, Sutiyoso, que foi duramente criticado durante as inundações de cinco anos atrás, disse ontem que ele não deveria ser culpado por um ¿fenômeno natural¿. Ele atribuiu as atuais inundações ao desmatamento em Puncak que, segundo ele, destruiu áreas de retenção de água. ¿Não há por que me culpar. Estou acordado desde as 3 horas para tentar acomodar os refugiados¿, disse o governador.