Título: Setor privado apóia, mas tem dúvida sobre investimentos
Autor: Formenti, Lígia
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/02/2007, Economia, p. B1
O setor industrial vê com desconfiança a estimativa do governo de investimentos de R$ 10 bilhões, em uma década, no desenvolvimento da indústria biotecnológica brasileira. Os fundos para o setor são contingenciados e hoje as cifras são modestas, na casa de milhões, diz o gerente-executivo de Competitividade Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Maurício Mendonça.
¿Tenho dificuldade de entender como chegar a números tão significativos partindo de uma base tão pequena¿, diz Mendonça. Ele cita como exemplo os recursos para desenvolvimento e tecnologia na área de saúde. Envolvendo todas as áreas, não só a biotecnologia, não chegam a R$ 100 milhões ao ano.
Apesar de considerar o plano positivo - também por ter sido construído em conjunto com a iniciativa privada -, a CNI critica a demora em concretizar uma política que estava sendo gestada desde 2003. ¿O governo Lula passou o primeiro mandato inteiro discutindo o assunto e não precisava ter esperado tanto¿, diz Mendonça. ¿Estamos muito atrasados.¿
Ele também afirma que a Lei de Biossegurança, que nasceu truncada e tem várias dificuldades para ser implementada, afasta investimentos. A biotecnologia depende muito de um marco regulatório, que é fundamental para investimentos privados, informa. ¿Se tivermos um ambiente de negócio travado, com altos riscos, fica difícil promover investimentos.¿
Para Gabriel Tannus, presidente da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), se for efetivamente adotada, a nova política pode atrair investimentos e a formação de joint ventures com empresas que não atuam no País.
¿O plano sinaliza que o governo está interessado em uma política de acesso à pesquisa e desenvolvimento e na diminuição da dependência externa nessa área¿, diz Tannus. Hoje, todos os centros de pesquisa dos grandes laboratórios estão fora do País. A Interfarma representa 28 multinacionais farmacêuticas, responsáveis por 60% do faturamento do setor.