Título: Gates diz ter prova da ação do Irã no Iraque
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/02/2007, Internacional, p. A22
O secretário de Defesa americano, Robert Gates, afirmou ontem que marcações e números de série encontrados em explosivos usados no Iraque são evidências ¿muito claras¿ de que o Irã fornece armas e tecnologia para rebeldes iraquianos.
Embora os EUA já tivessem mencionado o envolvimento de Teerã com as milícias xiitas no Iraque, essa foi a primeira vez que uma autoridade americana dá detalhes sobre o tema. Gates, que falou durante uma conferência na Espanha, já havia prometido divulgar provas sobre a relação do Irã com os insurgentes. O secretário voltou a negar que os EUA estejam planejando invadir o Irã: ¿Não sei quantas vezes o presidente, a secretária de Estado (Condoleezza Rice) e eu teremos de repetir que essa não é nossa intenção no momento.¿
Um ataque aéreo americano em Mossul (norte do país) matou ontem por engano oito soldados curdos que vigiavam a sede da União Patriota Curda - partido do presidente iraquiano, Jalal Talabani. O Exército dos EUA se desculpou pelo incidente - que também deixou seis militares feridos - e afirmou que o objetivo da operação era atacar militantes da Al-Qaeda, que estariam fabricando bombas em bunkers na região.
Segundo os militares, as tropas pediram em árabe e em curdo que os homens depusessem suas armas e, somente após a recusa, começaram a atirar. O líder do partido curdo, Kabir Goran, disse, porém, que nenhum aviso foi feito antes do ataque. A morte dos soldados pode abalar a relação entre os EUA e os curdos - importantes aliados do Pentágono, especialmente no norte do Iraque.
Casos de ¿fogo amigo¿ são relativamente comuns no Iraque. Na terça-feira, um jornal britânico publicou a transcrição de um vídeo gravado na cabine de um avião dos EUA que atacou e matou acidentalmente um soldado britânico, em 2003.
No dia seguinte, um juiz em Roma ordenou que um militar dos EUA - acusado de matar um soldado italiano em 2005 - comparecesse a um julgamento no país.
O Pentágono informou ontem que três soldados foram mortos em Anbar, província de maioria sunita onde ocorrem a maioria dos ataques insurgentes às tropas americanas.
PUNIÇÃO
Um dia após tropas iraquianas e americanas terem invadido o Ministério da Saúde e prendido o vice-ministro da pasta, Hakim Zamili, o gabinete do premiê Nuri al-Maliki se pronunciou. ¿Se ficar provado que Zamili é inocente, ele será libertado. Caso contrário, enfrentará a punição devida¿, afirmou Sadiq al-Rikabi, um dos conselheiros de Maliki. ¿Estamos deixando claro que o novo plano de segurança para Bagdá será posto em prática independentemente de diferenças políticas ou sectárias¿, completou. O plano ao qual Rikabi se referiu foi iniciado nesta semana e é considerado a última esperança de controlar a violência sectária entre xiitas e sunitas que assola a capital iraquiana.
Em Washington, um grupo de democratas revelou estar analisando um plano para fechar a prisão americana de Guantánamo, em Cuba, até o fim de 2008. Duramente criticado por organizações de direitos humanos, o campo de presídio abriga cerca de 400 suspeitos de terrorismo.