Título: Aquecimento global dá força à tecnologia
Autor: Pamplona, Nicola
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/02/2007, Economia, p. B4

Os argumentos favoráveis à retomada dos investimentos em energia nuclear no Brasil ganharam reforço com a divulgação, na semana passada, de novos alertas sobre o aquecimento global. Segundo cálculos do setor, uma usina nuclear emite 100 vezes menos gases do efeito estufa do que usinas a gás natural, por exemplo. A tecnologia ganhou um aliado de peso após os alertas: o cientista britânico James Lovelock, que ajudou a descobrir que o gás CFC danifica a camada de ozônio.

Lovelock disse que, frente à dificuldade para desenvolver tecnologias mais limpas, a energia nuclear deve ser priorizada em relação a usinas a carvão ou derivados de petróleo. De acordo com a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), uma usina nuclear emite 4 gramas de gás carbônico por quilowatt-hora (kWh) produzido. Segundo essa conta, um kWh gerado em usinas a gás emite 448 gramas; a óleo, 818 gramas; e a carvão, 955 gramas.

¿No curto prazo, o Brasil pode contribuir com a redução do efeito estufa se investir em energia nuclear¿, aponta o professor Nivalde de Castro, do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ. Todos concordam que o País deve continuar apostando na energia hidrelétrica, renovável e menos poluente que todas as citadas. Mas a dificuldade em licenciar novos projetos hídricos vem levando o governo a contratar cada vez mais usinas a óleo e a carvão.

¿Não queremos competir com as hidrelétricas, mas ser uma alternativa térmica para períodos de menos chuva¿, diz o presidente da CNEN, Odair Gonçalves. Atualmente, a base térmica é responsável por 5% da geração de energia no País. As usinas nucleares de Angra, por 2%. Segundo a CNEN, a energia nuclear poderia atingir 5% a 6% em 2030.