Título: 'A gente estica elástico até o fim'
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/02/2007, Economia, p. B7
O dólar baixo está abortando projetos de investimentos de indústrias de manufatura no País. A Black & Decker derrubou à metade os investimentos industriais no País por causa do câmbio baixo, que inibe as exportações e estimula a compra do produto pronto no exterior.
O diretor industrial da empresa, Domingos Dragone, conta que o esforço é para manter o máximo da produção local. ¿A gente vai até o último estágio do elástico¿, afirma, sobre a tentativa de adaptação ao câmbio.
No ano passado, a empresa - que fatura R$ 350 milhões ao ano no País - se rendeu e passou a importar ferros de passar roupa, mais populares, da China.
Curioso é que a empresa chegou a solicitar medidas antidumping contra importações provenientes da China. Dragone conta que estava ocorrendo perda de participação de mercado e a saída foi trazer produtos mais populares, para ganhar mercado. Para efeito de comparação, em um ano e meio a fatia dos produtos importados do total comercializado pela empresa saltou de 20% para 35%, basicamente vindos de fabricantes chineses. Já o volume de investimentos ao ano encolheu de perto de R$ 15 milhões para cerca de R$ 8 milhões.
¿O câmbio põe em risco as exportações e reduz o valor dos investimentos. Está ficando realmente perigoso no médio e longo prazos. Podemos ter um problema no futuro. Com certeza, as corporações começam a olhar o Brasil não mais como um ponto de competitividade internacional e de custo baixo¿, afirma o executivo. Ele concorda que o projeto de montar plataformas de exportação no País fica complicado nesse cenário.
O executivo argumenta que, caso o câmbio não retorne para perto de R$ 2,50, as exportações de manufaturas ficarão comprometidas. A própria Back & Decker não parou de exportar, até porque precisa respeitar contratos de fornecimento. O problema é que, quando esses contratos terminam, a operação local pode perder a concorrência para outra subsidiária do grupo.