Título: Garantias compensam sacrifício
Autor: Silva, Cleide
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/02/2007, Economia, p. B9

Trabalhar à noite exige mudanças na rotina. Mas os recém-contratados da Fiat não reclamam. Emprego com carteira assinada e direito a benefícios compensam o sacrifício, dizem. ¿É o meu primeiro emprego em fábrica¿, diz Davi dos Santos, de 25 anos. Ele vai ganhar R$ 850, a média inicial dos metalúrgicos mineiros. Solteiro, diz que está se habituando a dormir de dia. Na função de operador, já faz planos. ¿Quero comprar meu primeiro carro.¿

Alison Ribeiro, de 25 anos, fazia bicos e estréia em uma fábrica. Portador de deficiência - teve o braço esquerdo decepado em um acidente aos 11 anos -, ele limpa portas dos veículos. Casado, Ribeiro quer terminar de construir sua casa. ¿Durmo das 7 às 14 horas¿, conta ele, que costuma ter o sono interrompido pelo filho de 2 anos querendo brincar.

O ex-motoboy André Pereira, de 26 anos, que ganhava R$ 600, agora recebe R$ 1 mil. E tem benefícios como plano de saúde para a família e transporte. ¿Até a minha vida social está mudando, pois temos direito ao clube e posso levar a mulher e os filhos (de 2 e 4 anos) nos fins de semana.¿

Empresas terceirizadas também ampliaram o quadro. Fernando Grecia Silva, de 19 anos, e Davi Agostinho dos Santos, de 21, estão no grupo de 82 contratados pela Adservis, responsável pela limpeza da fábrica. Ambos estavam desempregados.

O terceiro turno começa com ¿reunião de boa-noite e bom-dia¿, à 1 hora. O líder de cada equipe passa informações gerais da empresa. Antes de iniciar o trabalho, funcionários tomam sopa ou comem a ceia servida no restaurante. ¿Preparamos cardápio leve, com verduras e frutas¿, conta a nutricionista Patrícia Sarmento. Só para o pessoal do terceiro turno são 1.500 refeições extras.