Título: Lula promete Cidades ao PP e uma pasta ao PDT
Autor: Domingos, João
Fonte: O Estado de São Paulo, 14/02/2007, Nacional, p. A6

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu ontem ao PP que o partido continuará com o Ministério das Cidades e deverá manter o titular, Márcio Fortes. Ao PDT, Lula indicou que a legenda também ganhará um ministério - que não tem hoje. O partido quer uma pasta que se enquadre em seu perfil histórico, como Trabalho, Educação ou Previdência.

¿O presidente disse que vai mapear todos os cargos e seus donos e, na semana que vem, nos chamar para dizer o que tem a oferecer¿, contou o presidente do PDT, Carlos Luppi. ¿Tivemos uma conversa muito proveitosa. A respeito da ampliação do espaço do partido, vamos continuar a conversar depois do carnaval. Por enquanto, está garantido que o Ministério das Cidades continua com o PP¿, disse o líder Mário Negromonte (BA).

As reuniões com o PP e o PDT foram longas. Participaram pelo PDT o presidente Lupi e os líderes na Câmara, Miro Teixeira (RJ), e no Senado, Jefferson Péres (AM), e pelo PP o líder Negromonte (BA) e o presidente Nélio Dias (RN). De acordo com os participantes , Lula abriu a reunião falando da reforma ministerial e disse que até o fim do mês pretende anunciar toda a nova equipe.

Na costura da reforma ministerial, o presidente se tornou o grande articulador de seu governo. Para a vaga do ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, candidato a ir para a Justiça, Lula já deixou circular a informação de que será ocupada pelo ex-govenador do Acre Jorge Viana (PT), pela senadora Roseana Sarney (PMDB-MA) e pelo ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia (PTB).

¿PONTES¿

Ex-deputado, o mineiro Mares Guia tem ótimo trânsito entre os partidos aliados e nas fileiras da oposição: é comum vê-lo fazendo ¿pontes¿ com os governadores de Minas, Aécio Neves, e de São Paulo, José Serra, ambos do PSDB.

De qualquer forma, com ou sem o remanejamento de Mares Guia, Tarso deve ir para a Justiça, no lugar de Márcio Thomaz Bastos, que já acertou com Lula sua saída e só aguarda a data do desenlace ministerial. Uma ala do PMDB, porém, pede a cadeira de Bastos para o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), que é constitucionalista. O grupo que apóia o nome de Nélson Jobim, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), para o comando do PMDB avalia que, dessa forma, Temer desistiria de disputar novo mandato à frente da legenda, em 11 de março. Ele nega.

A negociação de Lula com o PMDB está adiantada. O partido deve ficar com quatro ministérios: os três que já comanda (Saúde, Minas e Energia e Comunicações) e, possivelmente, Integração Nacional. O presidente afirmou que, se dependesse só dele, o critério de escolha seria técnico porque ¿políticos dão muito trabalho¿. Disse estar cansado de ver disputa de espaço e tiroteio entre ministros.