Título: Bush elege 2007 como ano para América Latina
Autor: Mello, Patrícia Campos
Fonte: O Estado de São Paulo, 14/02/2007, Nacional, p. A10

A Casa Branca informou ontem que a secretária de Estado, Condoleezza Rice, acompanhará o presidente americano, George W. Bush, na sua visita ao Brasil, a partir de 8 de março, início de um giro pela América Latina. Integrarão a comitiva os secretários de Segurança Interna, Michael Chertoff, e de Saúde, Mike Leavitt, o subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon, além da primeira-dama, Laura Bush.

Depois do Brasil, onde se encontrará com o presidente Lula, Bush visitará Uruguai, Colômbia, Guatemala e México, voltando aos EUA dia 14. Segundo o subsecretário de Estado para Assuntos Políticos, Nicholas Burns, Bush irá a países que o convidaram ou com os quais os EUA têm intensas relações bilaterais. 'O presidente Bush está muito interessado em sua visita à região, porque 2007 é o ano de compromisso com a América Latina', ressaltou, insistindo no que já dissera na sua viagem ao Brasil, na semana passada.

Ele ressaltou a relação 'muito próxima' que os EUA têm com o Brasil. Disse que o tipo de relacionamento só é comparável ao que os americanos mantêm com alguns poucos países, como Japão, Índia e nações da Europa. A visita de Bush, segundo o subsecretário, terá como principal tema o biocombustível. Mas também serão discutidas questões que exigem 'multilateralismo' dos países, como terrorismo, narcotráfico e meio ambiente. 'Agora Brasil e Estados Unidos estão unidos pela questão dos biocombustíveis.'

A Argentina não foi incluída na viagem. 'Não vamos porque o presidente Bush já foi a Mar Del Plata em 2005 e o chanceler argentino, Jorge Tayana, virá a Washington numa visita de Estado', afirmou Burns. Segundo diplomatas, porém, o presidente Néstor Kirchner não o convidou, pois não quer parecer próximo de Bush em ano eleitoral.

O subsecretário negou que a intenção da visita de Bush seja conter a expansão da influência da China e do Irã na América Latina, ou neutralizar o discurso da Venezuela. 'Esse é um esforço coordenado de diplomacia para demonstrar aos países da América Latina que os EUA querem manter boa relação com eles; mas esse esforço não é baseado no que outros países vêm fazendo', disse.

Burns classificou de 'ecumênico' o esforço dos EUA de restabelecer o relacionamento próximo com a América Latina. 'Fizemos contato com o presidente Rafael Correa, do Equador, Evo Morales, da Bolívia, fomos à posse de Daniel Ortega na Nicarágua', disse. 'Queremos ter boa relação com governos de esquerda, centro e centro-direita, é parte de nossa abordagem ecumênica - só não temos bom relacionamento com Cuba e Venezuela, e todo mundo sabe disso.'

Ele acusou o presidente venezuelano, Hugo Chávez, de se isolar com as nacionalizações. 'Países realmente dinâmicos, como Brasil, Argentina, China e Índia, não estão nacionalizando, estão se abrindo para o comércio e o livre mercado', disse. 'O crescimento não vem com políticas fracassadas do passado.'