Título: Lucro de R$ 25,9 bi da Petrobrás em 2006 é recorde latino-americano
Autor: Pamplona, Nicola
Fonte: O Estado de São Paulo, 14/02/2007, Economia, p. B1
A Petrobrás teve lucro de R$ 25,919 bilhões em 2006, o melhor resultado da história de empresas latino-americanas. O valor é 9% superior ao verificado pela companhia no ano anterior e reflete os melhores preços de venda de petróleo e derivados, além do aumento da produção nacional de petróleo. A estatal anunciou que vai distribuir R$ 7,9 bilhões a seus acionistas, dos quais 32,2% - ou R$ 2,54 bilhões - serão pagos à União.
O lucro anunciado pela Petrobrás é o maior já anunciado em 20 anos por empresas da América Latina, segundo cálculos da consultoria Economática. Somente este saldo positivo equivale, por exemplo, ao valor de mercado do grupo siderúrgico Gerdau, um dos maiores do setor no País. Apesar da soma gigantesca, o resultado foi recebido com frieza pelo mercado financeiro, que esperava desempenho ainda melhor, principalmente no quarto trimestre. As ações da estatal fecharam o pregão de ontem na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) com alta de 1,8%, abaixo do índice Bovespa (2,82%).
¿A despeito das vendas fortes, com contribuição cada vez maior do mercado internacional, os custos situaram-se acima do esperado, o que comprometeu o resultado da companhia¿, avaliou o analista Felipe Cunha, da Brascan Corretora, em relatório a clientes. A opinião é a mesma dos analistas da Ativa Corretora, que citam ainda o forte aumento de 28% das despesas corporativas entre os fatores negativos do balanço.
No quarto trimestre - que ficou bem abaixo dos R$ 6,7 bilhões esperados pelo mercado - a empresa teve lucro de R$ 5,2 bilhões, resultado 27% inferior ao de 2005. Segundo o diretor financeiro, Almir Barbassa, o desempenho reflete a queda do preço do petróleo no período, quando o óleo tipo Brent (referência mundial de preços) ficou em US$ 59,68, em média, 14% a menos do que no trimestre anterior. A redução acentuada nas cotações internacionais levou a empresa a vender, a preços menores, estoques adquiridos a custo mais alto.
No cálculo anual, porém, o petróleo Brent subiu 19,79%, em média, em relação a 2005, atingindo os US$ 65,14 por barril. Mesmo sem reajustes nos preços dos principais combustíveis, como gasolina e diesel, a Petrobrás conseguiu repassar integralmente esse movimento para os produtos que vende. De acordo com Barbassa, o barril de derivados foi vendido, em média, a US$ 70,92, valor 21,07% superior ao verificado em 2005. ¿O resultado mostra que nossa política de preços é adequada¿, disse Barbassa.
A produção de petróleo e gás da companhia, incluindo os campos fora do País, cresceu 4%, atingindo os 2,297 milhões de barris de óleo equivalente (somado ao gás) por dia. No Brasil, a Petrobrás produziu uma média de 1,778 milhão de barris de petróleo, um crescimento de 6% em relação ao ano anterior. As vendas de combustíveis, no entanto, cresceram apenas 3% no País, o que permitiu à empresa ampliar as exportações de petróleo e derivados em 11%. A estatal fechou 2006 com um superávit de 93 mil barris por dia em sua balança comercial.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o Brasil conseguiu, em 2006, atingir a auto-suficiência na produção de petróleo, ao contrário do que esperava a estatal, que previa essa conquista em fevereiro. Segundo a agência, o Brasil produziu uma média de 1,808 milhão de barris por dia no ano passado - 30 mil extraídos por companhias privadas.
CUSTOS
Antecipando as queixas do mercado, o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, destacou em mensagem aos investidores que o crescimento dos custos é uma das grandes preocupações da direção da empresa. E cita o cancelamento da licitação da plataforma P-57, que ficaria mais cara do que o estimado, como exemplo. Os custos de exploração cresceram 20%, atingindo US$ 17,64 por barril, fruto da ¿alta generalizada dos preços de bens e serviços ligados à atividade petrolífera¿, segundo Gabrielli.
Os custos de refino, por sua vez, cresceram 21% no País, para US$ 2,29 por barril. No exterior, a alta foi de 33%, mas o cálculo inclui a aquisição da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, que ampliou a presença da estatal no comércio exterior de derivados de petróleo.
A Petrobrás anunciou ainda investimentos recordes em 2006, de R$ 33,7 bilhões, valor 31% superior aos aportes de 2005 - metade do total alocado em projetos de exploração e produção. Para este ano, a companhia espera investir R$ 55 bilhões. A empresa prevê o início das operações de seis plataformas em 2007, fechando o ano com uma produção média, no Brasil, de 1,919 milhão de barris de petróleo.