Título: 'Estamos perdendo para o crime'
Autor: Assunção, Moacir
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/02/2007, Nacional, p. A5

O secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento de São Paulo, Floriano Pesaro, considera que o governo federal não tem, até hoje, um programa desenvolvido especificamente para a juventude que funcione adequadamente. 'Nas grandes regiões metropolitanas, como São Paulo, Rio e Belo Horizonte, estamos perdendo os jovens para o que chamamos de ilícito, como a pirataria, o narcotráfico e o tráfico de órgãos', diz. 'A situação é gravíssima nessas regiões.'

Um desses programas, o ProJovem, por exemplo, nem consegue atender às características básicas de rapazes e moças da capital paulistana. Idealizado para jovens entre 18 e 24 anos, sem emprego formal e que não concluíram o ensino fundamental, atende apenas 5 mil pessoas ante 30 mil vagas oferecidas. 'É que o jovem paulistano com essa idade já concluiu o ensino fundamental e não pode se encaixar. Além disso, um morador de Parelheiros, no extremo da zona sul, para participar do programa, teria de andar cerca de 10 quilômetros até um local de atendimento', ressalta Pesaro. Na verdade, o projeto não tem o perfil paulistano, embora possa ter o de outras regiões brasileiras.

FALTA DE FOCO

A questão, para o secretário, é que o governo insiste em considerar a pobreza brasileira concentrada em regiões historicamente pobres, como o semi-árido nordestino e a região sul do Maranhão, enquanto, ao menos em termos absolutos, há um número maior de pobres - entre os quais muitos jovens - nas grandes metrópoles e em sua área de influência. 'Somente na região metropolitana de São Paulo, há 3 milhões de pobres, cerca de 1,4 milhão abaixo da linha da miséria, ou seja, famílias que ganham um quarto de salário mínimo (R$ 90,00) por mês', afirmou.

Em São Paulo, o maior programa social do governo federal é o Bolsa-Família. São repassados mensalmente R$ 146 milhões ao ano para atender 227 mil famílias, o equivalente a 800 mil pessoas - o total significa aproximadamente dois terços das 334 mil famílias em situação de vulnerabilidade social, ou seja, perto da miséria absoluta, na região. Para os jovens, especificamente, são destinados outros R$ 10,5 milhões dirigidos a cinco programas: Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), ProJovem, Agente Jovem, Projeto Sentinela e Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes ameaçados de morte.

Apesar do cenário, Pesaro não é pessimista. 'Acredito que com a entrada em vigor do Sistema Único de Assistência Social (Suas), o equivalente ao SUS na saúde, as prioridades de atendimento serão modificadas e as metrópoles passarão a ser vistas com outros olhos.'