Título: Santidade é a leveza de Deus
Autor: Altemeyer Junior, Fernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 24/02/2007, Vida&, p. A20
Santo é um atributo de Deus. Por filantropia, é estendido a toda a humanidade. Ser santo, para um católico, é fazer parte da comunhão dos que têm esperança. Dos que assumem seguir Jesus Cristo como caminho, verdade e vida. Santo católico é exemplo de quem tem sede de plenitude.
Ser santo é dispor-se a ouvir Deus nas veredas do viver. Ser santo é agir em favor da criação e da humanidade.
Ser santo é uma disciplina teimosa em favor da vida dos pequenos, excluídos e perseguidos.
A idéia central da santidade cristã é participar da vida de Deus. Viver dia a dia as bem-aventuranças do Evangelho de Mateus. Não é heroísmo, mesmo que alguns heróis sejam considerados santos. Não é exemplaridade, embora o jeito fiel de viver a fé cristã seja tomado como exemplo por muitos seguidores.
Ser santo é um estilo de vida. Um jeito de encarar o mundo e os outros. Uma liberdade interior, que degusta o sagrado e o ultrapassa.
Na Antiguidade, definia-se santo como testemunha ou mártir. Depois, como virgem. No século 11, a oficialização da canonização tornou os santos figuras institucionais. Ao preencher o calendário litúrgico, tornaram-se guias do Evangelho.
Temos 180 grandes santos no calendário, e mais de 6 mil nomes no Martirologium Romanum. Nesta lista já há uma ítalo-brasileira: Madre Paulina (nascida na Itália e criada em Santa Catarina). Hoje foi incorporado um brasileiro nato do Vale do Paraíba, Antônio Galvão de França, o Frei Galvão.
SANTIDADE E CARISMA
O que são os santos? Páginas vivas de Deus convivendo conosco.
Por que existem santos? Por misericórdia de Deus.
Para que santos? Para dizer a cada um de nós que somos pessoas amadas pelo Criador.
Que fazem os santos? Vêem Deus onde ninguém o vê, o proclama ou o reconhece. Agem de forma paradoxal. Com certa loucura e audácia crítica, inclusive para a própria instituição religiosa. Santo está sempre mais próximo do carisma que do poder.
Houve santos que desnudaram o poder pela transparência de suas almas iluminadas.
Falar diretamente com um santo é calar-se para haurir forças dele e, ao mesmo tempo, falar longamente da própria vida diante de um confidente paternal. Santos são bons conselheiros.
Olhar um santo é descobrir que no mais profundo da humanidade existe a chama de amor. É ver em pessoas normalíssimas as curvaturas antropológicas essenciais. Sim, um santo católico é sempre alguém curvado. Debruçado para os demais.
Um santo verdadeiro é um promotor da paz. Santos são sempre leves. Eis porque alguns até levitam.
Houve séculos masculinos, mas na época medieval a santidade teve caráter feminino. Hoje, ela passa mais pela família e por comunidades. Sinal coletivo, em tempos fragmentados.
SANTOS NO BRASIL
Frei Galvão abriu as portas do céu à uma imensa multidão dos amigos de Jesus que vivem em terras brasileiras. Poderemos brevemente venerar os padres Victor Coelho, Eustáquio, Mariano, Josimo Moraes Tavares, Cícero Romão Batista, José Anchieta, Ezequiel Ramin, Rodolpho Lunkenbein, João Bosco Penido Burnier; as religiosas Dorothy Stang, Creusa Nascimento, Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes (irmã Dulce), Adelaide Molinari, os leigos cristãos Sepé Tiaraju, Santo Dias da Silva, e os inefáveis d. Luciano Pedro Mendes de Almeida e d. Hélder Pessoa Câmara.