Título: Investimento estrangeiro sobe para US$ 2,41 bi
Autor: Fernandes, Adriana e Freire, Gustavo
Fonte: O Estado de São Paulo, 24/02/2007, Economia, p. B4

O ano de 2007 começou com o ingresso, em janeiro, de US$ 2,41 bilhões de investimentos estrangeiros diretos no País, o maior resultado para o mês em sete anos. O valor ficou 63,6% acima do registrado em janeiro de 2006. Como em fevereiro o fluxo desses investimentos também está favorável, o Banco Central (BC) já anunciou que deve rever para cima a projeção de US$ 18 bilhões fixada para 2007.

¿Estamos começando o ano com um resultado muito positivo¿, comemorou o chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes. Segundo ele, o mais positivo é que o aumento dos investimentos não decorre de poucas e vultosas operações. São vários setores econômicos que estão recebendo recursos do exterior, como o de fabricação e montagem de veículos automotores, metalurgia, agricultura, comércio, transportes, eletricidade, gás, construção, bancos e imobiliário. Algumas dessas operações têm valores elevados, entre US$ 100 milhões e US$ 250 milhões.

A tendência para o ano, disse Altamir Lopes, é de uma expansão ainda maior do ingresso de investimentos estrangeiros. Para ele, a implantação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) deve ajudar com a melhoria da infra-estrutura do País. ¿Não é de agora que o IED (sigla usada para investimentos estrangeiros diretos) está aumentando. Desde junho eles estão vindo acima de US$ 1 bilhão por mês¿, ressaltou.

No período acumulado de 12 meses até janeiro, entraram na economia brasileira US$ 19,7 bilhões - o maior volume desde julho de 2005. Em 2005, porém, os investimentos diretos contavam com os recursos da compra da cervejaria AmBev pela Interbrew.

Em fevereiro, de acordo com balanço preliminar do Banco Central, o ingresso de IED já soma US$ 1,3 bilhão até ontem e deve chegar a US$ 1,45 bilhão, volume também superior aos US$ 854 milhões obtidos no mesmo mês do ano passado.

BRASILEIROS NO EXTERIOR

¿O Brasil tem sido um ponto importante de atração para investimentos¿, avaliou Altamir. Para ele, as condições macroeconômicas do País e a redução do risco Brasil têm contribuído para aumentar a segurança dos investidores e, com isso, o interesse em aplicar no País.

Por outro lado, as empresas brasileiras investiram no exterior US$ 649 milhões em janeiro, sobretudo nos setores financeiro (US$ 348 milhões), de prestação de serviços (US$ 225 milhões) e de fabricação de produtos alimentícios e bebidas (US$ 52 milhões). Em janeiro do ano passado, esses investimentos, conhecidos como Investimentos Brasileiros Diretos (IBD), chegaram a US$ 1,19 bilhão.

Na avaliação de Altamir Lopes, é positivo para o Brasil o aumento do IBD. Ele rebateu as avaliações de que esse aumento prejudica os investimentos que poderiam ser feitos no mercado interno. Segundo ele, investimentos no exterior alavancam as exportações brasileiras e permitem o ingresso de receitas em dólar de lucros e dividendos.

¿É positivo. No mundo globalizado, é preciso estar em todo o lugar¿, disse Altamir. ¿Por que o investimento estrangeiro quando entra no País é bom e o do brasileiro que sai não é?¿ Altamir disse que o volume de IBD está aumentando porque as empresas brasileiras estão buscando ficar próximas das fontes de distribuição e das matérias-primas. Outro motivo, segundo ele, é a necessidade de diversificação de risco.