Título: Teerã mantém desafio após fim de prazo da ONU
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Fonte: O Estado de São Paulo, 22/02/2007, Internacional, p. A10
No dia em que expirou o prazo dado pelo Conselho de Segurança da ONU para que Teerã paralise seu programa nuclear, o Irã emitiu ontem sinais contraditórios sobre sua disposição em dialogar com a comunidade internacional. De um lado, o comandante da Guarda Revolucionária iraniana, Rahin Safavi, disse, numa atitude de linha dura, que suas forças estão preparadas para defender seu país de ¿qualquer ameaça exterior¿ e o presidente Mahmud Ahmadinejad garantiu que seu povo não se curvará diante da ¿intimidação¿ do Ocidente. ¿O inimigo comete um grande erro se acha que pode dobrar a vontade da nação iraniana¿, disse.
Do outro, Ali Akbar Velayati, conselheiro do líder supremo do Irã, Ali Khamenei - que tem a última palavra nos assuntos relacionados à política externa - afirmou, numa entrevista ao jornal francês Le Monde, que o Irã estaria interessado em retomar o diálogo com Ocidente e poderia oferecer garantias de que seu programa nuclear têm fins pacíficos. A mesma proposta havia sido feita, na véspera, pelo negociador iraniano, Ali Larijani, ao chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, Mohamed ElBaradei.
Ainda ontem, pela primeira vez um partido político iraniano criticou a posição de Ahmadinejad na questão e lhe pediu para aceitar a exigência da ONU para interromper as atividades de enriquecimento de urânio. Segundo esse partido - a Organização Islâmica Revolucionária Mujahedin - a insistência do governo em desenvolver a tecnologia nuclear está colocando em risco ¿o interesse nacional e o destino dos iranianos¿.
Apesar de Teerã afirmar que seu programa nuclear tem como finalidade produzir energia elétrica, os EUA e boa parte da comunidade internacional acreditam que o governo iraniano estaria interessado em fabricar armas atômicas.
Em 23 de dezembro, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma série de sanções limitadas ao Irã, como a proibição da venda para este país de materiais e tecnologias que poderiam ser usados na fabricação de mísseis e armas atômicas. Foi nessa ocasião que o Conselho deu o prazo de 60 dias para que Teerã suspendesse suas atividades de enriquecimento de urânio - depois do qual poderiam ser adotadas sanções mais duras.
Com o prazo vencido, ElBaradei deve apresentar um relatório sobre a evolução do programa nuclear iraniano nesses dois meses. Não é segredo, porém, que em vez de paralisar as atividades de seu programa nuclear, Teerã acelerou a instalação de centrífugas nas suas usinas para produzir urânio enriquecido em escala industrial.
¿Infelizmente os iranianos não aceitaram as condições da comunidade internacional e teremos que dar o próximo passo¿, afirmou a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice. O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, pediu a imposição de mais sanções econômicas: ¿O Irã não está tão perto da bomba nuclear como diz, nem tão longe quanto gostaríamos - mas ainda podemos fazer algo por meio de esforços econômicos, diplomáticos e políticos.¿