Título: Lula diz que time não sofrerá muitas mudanças
Autor: Nossa, Leonencio
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/02/2007, Nacional, p. A5
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou ontem o seu programa de rádio semanal, Café com o Presidente, para avisar que a reforma ministerial não terá 'grande novidade'. 'Você há de convir que todos os partidos, à exceção do PDT, estão contemplados dentro do governo', disse ele, frisando que não fará 'muitas mudanças' na equipe. Foi, ao mesmo tempo, um recado ao PT, que pressiona por mais espaço.
Lula negou que a demora na escolha da nova equipe esteja emperrando as ações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que prevê R$ 503,9 bilhões de investimentos até 2010. 'Não, pelo contrário, o governo está funcionando', afirmou. 'O importante é o povo ter certeza de que estamos preparando a máquina para funcionar melhor do que funcionou no primeiro mandato.'
Na entrevista ao programa, gravada no domingo pela Radiobrás, o presidente comentou que os projetos do PAC nas áreas de saneamento, habitação e urbanização de favelas estão em fase de conclusão.
De São Bernardo, Lula respondeu por telefone a cinco perguntas sobre a reforma ministerial. Só evitou falar sobre a pressão do PT, que tenta nomear a ex-prefeita Marta Suplicy para Cidades ou Educação. 'A única coisa que às vezes me deixa um pouco constrangido é que vejo pela imprensa nomes e mais nomes, pessoas e mais pessoas, todo dia sai um ou entra um.'
O apresentador do programa, o jornalista Luiz Fara Monteiro, perguntou: 'Pois é, presidente. A imprensa está falando que o ministro Gilberto Gil, por exemplo, continua na Cultura, já está confirmado. Que Marta Suplicy pode ir para Cidades. Como é que o senhor vê isso? É uma pressão muito forte?'
Lula se limitou a dizer que 'todos continuam'. 'Se você me perguntar isso daqui a dez dias, eu não sei se todos continuam', fez questão de frisar. 'O Gilberto Gil continua, o Waldir Pires (Defesa) continua, o Márcio Thomaz Bastos (Justiça) continua, o Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) continua.'
Lula disse que não conversou com Bastos e Furlan sobre a possível saída dos dois. Nos últimos dois meses, no entanto, teve diversas conversas com os dois ministros para convencê-los a ficar na equipe.
'O que sei é que a máquina está funcionando bem', comentou. 'Ela precisa funcionar melhor e para isso nós estamos fazendo os programas de ajustes. No momento certo, eu indicarei o ministério.'
No programa, Lula disse que espera a unificação da bancada do PMDB no Senado. Negou, porém, que esteja esperando a convenção do partido que elegerá a nova direção para anunciar as mudanças. 'Não tenho compromisso de fazer depois ou antes da convenção, esse não é o problema. O problema é que os partidos estão num processo de alinhamento.'
Na semana passada, porém, Lula deixou claro para deputados do PSB que só faria a reforma depois da convenção.