Título: Chávez altera cálculo da inflação
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Fonte: O Estado de São Paulo, 03/03/2007, Internacional, p. A30
Às voltas com uma persistente inflação de 20,4% nos últimos 12 meses - segundo números divulgados na quinta-feira pelo Banco Central da Venezuela -, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou que mudará o método de cálculo do índice a partir de 1º de novembro. Diferentemente do cálculo atual, que leva em conta apenas a elevação de preços em Caracas, o novo método refletirá a situação de todas as regiões do país.
¿Esta é uma mudança muito importante que nos aproximará muito mais da realidade¿, afirmou Chávez em seu programa Alô, Presidente! - que é levado ao ar de segunda a sexta-feira pelo rádio e às quintas-feiras, pela TV. No mesmo programa, o presidente anunciou a antecipação do corte de três zeros do bolívar, a moeda nacional. Segundo ele, o ¿bolívar forte¿ passará a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2008, um mês antes do prazo anunciado por Chávez na semana passada. A taxa de câmbio oficial é hoje de 2.150 bolívares por dólar. Mas no câmbio paralelo - que continua a existir apesar das ameaças do governo de punir os cambistas com prisão e confisco de moeda estrangeira - a cotação do dólar chega a até 2.750 bolívares.
Para tentar aliviar a pressão inflacionária, o governo de Chávez eliminou o Imposto sobre Valor Agregado de alguns produtos básicos, como carne, queijo e leite e anunciou uma redução da taxa - de 17% para 12% - que incide sobre todos os outros preços. A renúncia fiscal, segundo analistas venezuelanos, será compensada pelos ganhos causados pela alta do preço internacional do petróleo no ano passado.
A chamada ¿bonança petrolífera¿ aumentou o consumo e, conseqüentemente, a pressão sobre os preços. De janeiro a dezembro de 2006, a inflação venezuelana foi de 17% - a maior da região - e ameaça sair do controle. Para tentar contê-la, além das medidas heterodoxas, Chávez intensificou o controle de preços de vários produtos vendidos por supermercados e atacadistas.
Chávez, no entanto, afirmou que a economia venezuelana vai bem e está ¿blindada¿ contra crises. ¿Quem está em crise é o capitalismo mundial, não a Venezuela. Vejam o pânico das bolsas do mundo, em Nova York, em Xangai, nas bolsas da Europa e em quase todas as bolsas da América Latina - menos na de Caracas¿, disse.
Ainda durante o Alô, Presidente!, Chávez confirmou visitas à Argentina e à Bolívia no mesmo período em que o presidente americano George W. Bush visitará Uruguai, Brasil, Colômbia, Guatemala e México, entre os dias 8 e 14. ¿É uma coincidência que mister Bush chegue em Brasília¿, afirmou.
PARTIDO ÚNICO
No campo político, o Podemos, um dos maiores partidos da coalizão de 20 grupos que dá apoio a Chávez, rebelou-se ontem contra a proposta do presidente de concentrar todas as forças governistas numa única legenda. ¿Não participamos nem participaremos de pensamentos únicos, pois a Venezuela é uma sociedade diversificada e plural¿, disse o líder do Podemos, Ismael García.