Título: 'Câmbio tira o sono dos ministros'
Autor: Fadel, Evandro
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/03/2007, Economia, p. B4
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem, para cerca de cem empresários do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, reunidos no Fórum Regional Sul do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), em Curitiba, que o câmbio valorizado é, atualmente, o ¿maior problema econômico¿, o que ¿tira o sono dos ministros da área¿.
Mas Mantega procurou mostrar que isso também pode ser encarado de forma positiva. ¿O Brasil tem que se acostumar com certo câmbio valorizado porque é o preço do nosso sucesso no comércio internacional, é o preço de termos uma economia mais estável, mais sólida.¿
Segundo Mantega, o governo optou pelo câmbio flutuante e não vai mudar. ¿Nós procuramos não usar certos artificialismos¿, justificou. Mas prometeu que o governo vai ¿tomar as medidas necessárias¿ caso perceba `exageros¿.
Segundo ele, para evitar que isso aconteça, o governo tem procurado a redução gradual da taxa de juros e a busca do aumento, não apenas das exportações, mas também das importações, retirando dólares do mercado.
O governo também continuará fazendo reservas. ¿Os US$ 100 bilhões (reservas atuais) não são o limite. Podemos chegar ao que for necessário para diminuir a oferta de dólares¿, acentuou. ¿É mais fácil administrar excesso do que escassez.¿
Ele disse que está averiguando o motivo pelo qual os importadores não estão se beneficiando da medida, aprovada no ano passado, que permite manter dólares fora do Brasil. ¿Talvez porque não seja conveniente, talvez seja melhor converter em real, talvez não estejam habituados e temem a fiscalização que passou do Banco Central para a Receita Federal¿, ponderou. ¿Estou averiguando.¿
O ministro reafirmou que a turbulência no mercado não deve atingir o País, apesar da queda na Bolsa de Valores de São Paulo. ¿Temos que nos acostumar que, numa economia globalizada, com fluxos financeiros cada vez mais elevados e com facilidade de se deslocar de um mercado para o outro, periodicamente vai haver algum tipo de turbulência, de ajuste.¿
Segundo ele, o importante é saber se os países estão habilitados para enfrentar isso com certa tranqüilidade. ¿Eu posso garantir que o Brasil nunca esteve tão sólido ou preparado.¿
Mantega estava acompanhado dos ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, e de Relações Institucionais, Tarso Genro. Eles apresentaram as linhas mestras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que destina R$ 37,5 bilhões para a região Sul do País. ¿O objetivo é um crescimento maior, com qualidade diferente daquilo que vimos no passado¿, afirmou o ministro da Fazenda.
¿A gente nem lembra mais quando o Brasil crescia, mas, fazendo um esforço de memória, quando o Brasil crescia, crescia com concentração de renda¿, ressaltou. ¿O PAC se orienta para outro tipo de crescimento, que abrange uma distribuição melhor de renda.¿
Segundo Mantega, o PAC não acaba com os programas sociais. ¿É o PAC e mais um conjunto de programas¿, disse.
FRASES Guido Mantega
Ministro da Fazenda
¿O Brasil tem que se acostumar com certo câmbio valorizado porque é o preço do nosso sucesso no comércio internacional, é o preço de termos uma economia mais estável, mais sólida¿
¿Temos que nos acostumar que, numa economia globalizada, com fluxos financeiros cada vez mais elevados e com facilidade de se deslocar de um mercado para o outro, periodicamente vai haver algum tipo de turbulência, de ajuste¿