Título: Dirceu: candidato de Lula em 2010 não precisa ser do PT
Autor: Costa, Rosa
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/03/2007, Nacional, p. A15

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu disse ontem que a aliança do PT com o PMDB é a chave para eleger o sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010 e admitiu que o candidato não precisa ser necessariamente um político petista. 'O PT pode e deve ter um candidato. Mas se a coalizão não pode ter um candidato que não é do PT, não é coalizão', afirmou Dirceu, que participou, em Brasília, da reunião da seção do Centro-Oeste do Campo Majoritário, principal corrente do PT. Os petistas se reuniram para concluir as teses que apresentarão no congresso nacional do partido, em julho. O prazo de entrega de teses termina amanhã.

Dirceu lembrou que a experiência mundial mostra que, para garantir um projeto, uma política de desenvolvimento do País a partir de uma coalizão de partidos políticos, a hipótese real é que qualquer dos partidos pode indicar o candidato, ou candidata, a presidente. Para ele, é justamente a coalizão que garante a base política mais forte para o governo dentro do Congresso.

PAC

'O governo terá maioria na Câmara e no Senado. É evidente que toda aliança tem avanços e recuos, erros e percalços. Mas isso não significa que não vai se construir, até porque ela está apoiada no PAC e na legitimidade da vitória do presidente no segundo turno e também na vitória do PT', disse. 'Acho que a aliança do PMDB com o PT é a chave para uma coalizão não só para dar governabilidade, mas para eleger o sucessor do presidente Lula.'

Durante a reunião, Dirceu defendeu ainda a necessidade de renovação do PT e admitiu que a chamada tese da refundação petista já foi abandonada. 'Essa tese (da refundação) foi, na prática, abandonada. O PT precisa se renovar, se reformar. Ele é um partido político e a conjuntura muda. O País muda e o próprio partido tem que se debruçar sobre seus próprios erros, experiências e mudar', disse.