Título: Lula e Bush selam cooperação, mas não esquecem Chávez
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Fonte: O Estado de São Paulo, 10/03/2007, Nacional, p. A4

O presidente George W. Bush encerrou ontem sua visita de pouco mais de 22 horas ao Brasil levando na bagagem avanços na área energética e impasses no que se refere à influência do venezuelano Hugo Chávez - as principais frentes de sua parada no Brasil, em seu giro por cinco países latino-americanos. O titular da Casa Branca acertou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cooperação para pesquisa sobre etanol, mas os dois não se entenderam quando o assunto - ainda que sem menção explícita - foi Chávez.

Diante dos jornalistas, Bush disse que buscar alternativa ao petróleo é ¿questão de segurança nacional¿ e não se cansou de parabenizar o anfitrião por ter sido eleito democraticamente. Lula disse ao visitante que todos os governos da região foram eleitos democraticamente. Outro impasse foi a questão do protecionismo: as taxas sobre o etanol brasileiro serão mantidas pelo menos até 2009, avisou Bush.

Houve avanços em outras frentes. Os dois países se comprometeram a insistir nas negociações da Rodada Doha e firmaram as bases para assinatura em breve de acordo para estimular a democracia em países africanos. Para Rubens Ricupero, ex-embaixador em Washington, a visita fez o Brasil ser reconhecido mundialmente como detentor de uma tecnologia de ponta, na área dos combustíveis renováveis. Mas ele recomenda comedimento na comemoração.

Quase 90 quilômetros de ruas foram bloqueados para a comitiva de Bush, o que fez o paulistano mudar o comportamento. Apesar disso, a lentidão ficou nos índices normais. Os protestos não tiveram a violência registrada na véspera. Num deles, estudantes comeram bananas em um McDonald¿s.