Título: Na Argentina, venezuelano liderou multidão anti-Bush
Autor: Marin, Denise Chrispim e Manzano Filho, Gabriel
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/03/2007, Nacional, p. A16

Na Argentina, onde passou o dia ontem, o presidente Hugo Chávez combateu o seu principal inimigo político, firmou um acordo energético e reuniu milhares de pessoas, na tentativa de ofuscar a agenda do presidente George W. Bush na América Latina. O auge ocorreu à noite, em discurso no estádio de futebol Ferro Carril Oeste, no tradicional bairro Caballito. Lá, anunciou uma ¿aula magistral¿ sobre ¿socialismo do século 21¿.

O evento foi organizado pelas Mães da Praça de Maio e por piqueteiros. ¿Entre a Argentina e a Venezuela há mais do que integração, palavra que trouxeram de Washington para manipular os nossos povos. Há união!¿, disse. ¿Tivemos que caminhar 15 ruas para chegar. Vimos milhares de bandeiras, bumbos. É uma maravilha!¿

¿Andam dizendo por aí que o meu encontro com Kirchner foi para sabotar o cavaleiro do Norte, mas é mentira, porque não precisamos d isso¿, disse. ¿Gringo, go home!¿ Para ele, Bush tornou-se um ¿cadáver político¿.

Chávez não deixou de citar os governos do Uruguai e do Brasil, que receberam Bush: ¿Esperamos que nossos irmãos não se sintam ofendidos, porque eles têm direito de receber a visita de quem quiserem.¿

Horas antes, ele alvejara o acordo do etanol fechado por Lula e Bush. ¿Pretender substituir a produção de alimentos para animais e seres humanos por alimentos para veículos, para sustentar o `american way of life¿ é uma coisa de louco.¿

ACORDOS

A agenda do venezuelano em Buenos Aires foi intensa. Começou com a assinatura de 11 acordos de cooperação com o presidente Néstor Kirchner. Um deles prevê a adesão da Bolívia ao Banco do Sul - projeto para financiar projetos de infra-estrutura. Também foi acertado um tratado energético para criar a Organização de Países Produtores e Exportadores de Gás da América do Sul - contraponto ao acordo de biocombustíveis assinado ontem.

Pela primeira vez desde que tomou posse, Kirchner liberou a entrada da imprensa na sua casa de campo na Província de Buenos Aires, nos arredores da capital. ¿Nos momentos mais difíceis por que a Argentina passou, a República Bolivariana da Venezuela esteve presente¿, ressaltou.

Chávez também opinou sobre o bloco sul-americano: ¿O Mercosul, ou o transformamos ou vai morrer.¿ E mandou mais um recado para Lula: ¿O Brasil e a Argentina estão sendo chamados a ouvir os mais pequeninos, os que têm mais dificuldades¿, prosseguiu, em entrevista.

Ele recomendou que a Argentina ¿se vacine¿ contra a influência dos EUA e garantiu que o Uruguai não firmará um tratado de livre comércio com os Estados Unidos.

Segundo Chávez, o presidente americano veio à América Latina para ¿enganar e confundir¿ os países da região. ¿O futuro pertence a nós¿, disse.