Título: Paquistanês assume ter planejado 11/9
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Fonte: O Estado de São Paulo, 15/03/2007, Internacional, p. A15

O suposto mentor dos atentados de 11 de Setembro de 2001, o paquistanês Khalid Sheikh Mohammed, admitiu a responsabilidade pelo ataque e por outras ações da Al-Qaeda, de acordo com a transcrição de um interrogatório realizado sábado na prisão de Guantánamo, em Cuba. O documento foi divulgado ontem pelo Pentágono.

¿Fui responsável pela operação de 11 de Setembro, de A a Z¿, afirmou Mohammed, segundo o Pentágono. ¿Eu era o diretor operacional do xeque Osama (bin Laden) para a organização, planejamento, acompanhamento e execução da operação de 11 de Setembro.¿

Mohammed também afirmou ter sido o mentor do ataque de 1993 ao World Trade Center, do atentado a bomba de 2002 em Bali, na Indonésia, e da tentativa de derrubar dois aviões americanos com tênis-bombas. No total, ele assumiu a responsabilidade por 28 ataques ou complôs, incluindo planos para matar o papa João Paulo II e o presidente paquistanês, Pervez Musharraf.

Mohammed está entre os 14 prisioneiros identificados pelo Pentágono como ¿suspeitos de terrorismo de extrema importância¿. Preso no Paquistão em 2003, ele foi levado a prisões secretas da CIA no exterior e, no ano passado, transferido para Guantánamo. Desde sexta-feira, esses prisioneiros vêm sendo interrogados por militares dos EUA que querem classificá-los como ¿combatentes inimigos¿ e não como ¿prisioneiros de guerra¿. Dessa maneira, pela lei americana, eles poderiam ficar presos por tempo indeterminado e ser julgados em tribunais militares.

As transcrição também revela evidências contra Mohammed, afirmando que um computador apreendido com ele trazia arquivos com informações do ataque às Torres Gêmeas. Entre os arquivos havia nomes e fotos dos terroristas que seqüestraram os aviões, imagens da habilitação de piloto do egípcio Mohamed Atta e mensagens de Osama bin Laden.

O Pentágono também divulgou a transcrição da audiência do líbio Abu Faraj al-Libi e do iemenita Ramzi Binalshibh. O iemenita é acusado de ajudar Mohammed no 11 de Setembro e de planejar ataques contra aviões britânicos. Libi é considerado o mentor de dois atentados a bomba no Paquistão em dezembro de 2003, cujo alvo era o presidente Musharraf, que apóia a política americana de guerra ao terror.

Entre julho de 2004 e março de 2005, autoridades americanas interrogaram 558 pessoas para determinar se eram ou não combatentes inimigos. Destas, apenas 38 foram consideradas inocentes e, em seguida, libertadas de Guantánamo. as demais continuam presas.