Título: Ruas serão bloqueadas até para pedestres na passagem de Bush
Autor: Godoy, Marcelo
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/03/2007, Nacional, p. A12
O paulistano que pensou que andar a pé seria a solução para enfrentar o caos no trânsito por causa da visita do presidente George W. Bush à cidade, pode mudar de plano. O esquema de segurança montado pelo Exército prevê que até o tráfego de pedestres será fechado em algumas das vias de São Paulo. O Comando Militar do Sudeste informou ontem que será necessário fechar completamente algumas ruas da cidade, mas não divulgou quais.
Em outras vias, somente veículos serão proibidos de passar. Haverá ainda aquelas que terão apenas uma ou algumas faixas interditadas. O itinerário da comitiva de 60 carros do presidente Bush, que chega hoje ao Brasil, ainda é guardado a sete chaves pelo Exército.
A segurança do presidente dos Estados Unidos preocupa tanto que levou o Exército brasileiro a criar um órgão especialmente para coordenar todas as ações necessárias em São Paulo. Trata-se do Comando de Operações de Segurança Integrada (Cosi).
Do Cosi vão participar homens de todos os órgãos públicos empenhados no esquema: a Polícia Federal, as Polícias Civil e Militar de São Paulo, a Polícia Rodoviária Federal, a Guarda Civil Metropolitana, o Corpo de Bombeiros e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
O objetivo é unificar os esforços e garantir agilidade para enfrentar eventuais contratempos ou possíveis ameaças. O general-de-divisão João Carlos Vilela, da 2ª Divisão de Exército, comandará o Cosi, que passa a funcionar a partir das 10 horas de hoje.
PELOTÕES
O Comando Militar do Sudeste divulgou alguns detalhes do dispositivo de tropas que será empregado na operação. Ele prevê a disposição de pelotões - grupos com 30 homens - em 35 pontos da cidade.
Esses homens ficarão postados em viadutos e cruzamentos estratégicos no percurso da comitiva americana e terão fuzis e metralhadoras MAG, calibre 7,62 mm, além de armas não-letais, como cassetetes e bombas de gás lacrimogêneo, para a contenção de distúrbios civis.
A tropa receberá ordens de agir como nas missões de paz, ou seja, só atirar para se defender em caso de ataque. Aliás, parte dos militares empregados é veterana da missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti.
HELICÓPTEROS
O Exército decidiu ainda que, em vez de um, três helicópteros farão a segurança da visita de Bush. Eles sairão da Base Aérea de Taubaté e virão para a capital. Serão dois Panteras e um Esquilo.
As aeronaves não carregarão armamento, mas terão câmeras de vigilância ligadas a uma central de inteligência. Além de 1.200 homens nas ruas, o Exército terá outros 600 soldados de prontidão para emprego em caso de alguma emergência.
Os homens do Exército contarão com o apoio de veículos motorizados, mas está descartada a presença de tanques nas ruas da cidade. Eles vão contar com o apoio de mil homens da Polícia Militar e de funcionários da CET para fechar as ruas e avenidas da cidade de acordo com a passagem da comitiva. No trajeto, haverá atiradores de elite treinados para acertar alvos a 1 quilômetro de distância.
Ao todo, cerca de 4 mil homens devem participar da operação, entre militares, policiais e integrantes do serviço secreto americano.
Até ontem, nenhum dos serviços de inteligência que participam do trabalho havia recebido qualquer tipo de alerta sobre ameaça de atentado contra Bush. As únicas informações concretas são sobre manifestações de partidos e movimentos sociais.
NÚMEROS
60 carros integram comitiva de Bush
35 pontos da cidade terão pelotões
1.200 soldados estarão nas ruas
4.000 homens participam da operação