Título: No México, Bush ouve queixas de Calderón
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Fonte: O Estado de São Paulo, 14/03/2007, Internacional, p. A14

No último dia da viagem pela América Latina, o presidente dos EUA, George W. Bush, disse ontem que vai tentar reformar a política de imigração americana. O anúncio foi uma clara tentativa de melhorar sua imagem no México, última escala de seu giro e país onde ele é mais impopular. Após reunir-se com o presidente mexicano, Felipe Calderón, ele disse que vai tentar convencer o Congresso a amenizar a atual lei de imigração e criar um programa para trabalhadores temporários.

Mas Bush se esquivou de anunciar medidas concretas. 'Minha promessa para o povo do México é que vou trabalhar duro para conseguir aprovar uma reforma ampla na lei de imigração', disse. No ano passado, a reforma não foi aprovada porque os republicanos, então maioria no Congresso, estavam mais preocupados com o reforço do policiamento na fronteira.

Por sua vez, Calderón exigiu de Bush mais atenção às relações bilaterais com o México, lembrando a promessa feita em 2001 de que a América Latina seria uma das prioridades da política externa americana. O mexicano voltou a criticar o muro de 1.200 quilômetros que está sendo construído na fronteira entre os dois países e afirmou que a melhor maneira de evitar a imigração é melhorando as condições de vida dos cidadãos ao sul da fronteira. 'Não dá para conter a imigração por decreto', disse Calderón.

Bush elogiou a iniciativa de Calderón de enviar milhares de soldados para combater os cartéis mexicanos e cumprimentou o presidente por ter concedido a extradição de 15 importantes traficantes. Calderón agradeceu, mas voltou a criticar os EUA por não atacarem o consumo de drogas. 'Precisamos da colaboração e da participação ativa de nosso vizinho, sabendo que, enquanto a demanda por drogas não for reduzida, será muito difícil diminuir o fornecimento', disse Calderón.

CONGRESSO

Após várias semanas de negociações, congressistas americanos anunciaram ontem que estão próximos de chegar a um acordo sobre a reforma da lei de imigração.

O acordo incluiria um programa especial para trabalhadores temporários e a possibilidade de concessão de cidadania para os cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais que vivem nos EUA.