Título: Copesul terá plano de expansão
Autor: Brito, Agnaldo e Lima, Kelly
Fonte: O Estado de São Paulo, 21/03/2007, Economia, p. B3

Petrobrás e Braskem estudam investir R$ 780 milhões no Complexo Petroquímico do Sul (Copesul), cujo controle foi adquirido com a compra do Grupo Ipiranga, formalizada na segunda-feira. O objetivo é ampliar a capacidade de produção de resinas em 250 mil toneladas por ano. Concluído o processo de consolidação da central gaúcha, a estatal pretende acelerar as negociações para integrar as centrais petroquímicas do Sudeste, último passo para a esperada reestruturação do setor.

No Sul, espera-se que Petrobrás e Braskem integrem os ativos de maior valor à Copesul, responsável pela matéria-prima para produzir plásticos, a exemplo do que foi feito no Complexo Petroquímico do Nordeste (Copene). O diretor de abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, diz que as duas empresas já vêm conversando na ampliação do pólo gaúcho, para garantir ¿musculatura¿ para competir no concorrido mercado global de resinas. Hoje, a Copesul tem capacidade para produzir 1,35 milhão de toneladas por ano.

Costa informou que os novos donos - que já tinham participação na empresa antes da compra da Ipiranga - pretendem pôr mais um forno em funcionamento na Copesul, além de reduzir os gargalos da produção na central. ¿O projeto está dentro de uma posição mais abrangente no planejamento estratégico da Petrobrás, que diz respeito ao fortalecimento e crescimento da petroquímica brasileira. Isso só está sendo possível devido ao rearranjo acionário.¿

Para isso, a Petrobrás quer acelerar as conversas para consolidar a Petroquímica do Sudeste, hoje dividida entre a Petroquímica União (PQU) e o pólo gasoquímico do Rio, ativos nos quais a estatal tem parceria com os grupos Unipar e Suzano. ¿Vamos aprofundar a discussão procurando integração, sinergia e possibilidades de maior robustez dos grupos, como no Sul¿, informou Costa.

¿Há consenso que a integração será muito importante. Temos interesses nisso como sócios e também porque as centrais são clientes da Petrobrás. Queremos clientes fortes¿, disse o presidente da Petroquisa, subsidiária da estatal para o setor, José Lima de Andrade Neto. Costa frisou, porém, que a Petrobrás participará do processo apenas como catalisador de investimentos. ¿Não é responsabilidade nossa resolver os problemas da indústria petroquímica brasileira.¿

Após a compra da Ipiranga, a Braskem fica com 64% da Copesul - o restante é da Petrobrás. As duas empresas e o Grupo Ultra dividem ainda a Refinaria Ipiranga, hoje a principal fornecedora de nafta à central. Segundo Costa, as três companhias têm o compromisso de manter a unidade em operação, mas não definiram qual caminho seguir. ¿Esta semana, uma equipe vai à refinaria para conhecer as instalações antes de começarmos a discutir o futuro¿, disse Costa.