Título: Stephanes assume hoje e tenta apaziguar ruralistas
Autor: Nossa, Leonencio
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/03/2007, Nacional, p. A6

O deputado Reinhold Stephanes (PMDB-PR) assume hoje a pasta da Agricultura com um pedido de trégua à bancada ruralista, que se mobilizou contra a sua nomeação. Logo após encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite de ontem, no Palácio do Planalto, ele disse estar tranqüilo para conversar, pois é um ¿profissional¿ do setor. ¿Tenho a disposição do diálogo e do entendimento, de ouvir muito¿, afirmou (leia entrevista com o novo ministro na página ao lado).

Ministro da Previdência nos governos Fernando Collor e Fernando Henrique e presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no governo Geisel, Stephanes fez um aceno aos ruralistas. ¿Quando fui nomeado ministro da Previdência, muitos reclamaram que eu era médico¿, disse. ¿Mas aquilo foi quase um acidente de percurso, minha origem mesmo é a agricultura.¿

Sua experiência no setor inclui passagens pela secretaria-executiva do Ministério da Agricultura e pelo comando da comissão que criou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), mas o que pesou mesmo na nomeação foi o apadrinhamento do governador Roberto Requião (PR).

Stephanes negou que seja apadrinhado de Requião. Ressaltou, também, que não tem nenhuma aproximação com o Movimento dos Sem-Terra (MST). ¿Eu não sou ministro do Paraná¿, destacou.

Ele ainda minimizou o fato de ser réu em ação de improbidade administrativa quando ocupou a presidência do Banco do Estado do Paraná (Banestado), em 1999. ¿Todas as operações feitas na época foram aprovadas pelo Banco Central.¿

Com a escolha de Stephanes, Lula está próximo de completar a equipe do segundo mandato. Ontem também ficou decidido que o jornalista Franklin Martins assumirá o novo Ministério da Comunicação Social.

Além das duas escolhas, Lula empossa hoje, em solenidade às 10 horas no Planalto, Marta Suplicy no Turismo e Walfrido Mares Guia nas Relações Institucionais.

Agora, falta definir os titulares do Desenvolvimento Agrário, da Previdência e da Defesa - a crise no setor aéreo fragilizou o titular, Waldir Pires. O chefe da Secretaria de Direitos Humanos também não foi confirmado.

TUMULTUADA

Depois de passar pelo PDS e participar do grupo que abriu a dissidência para fundar o PFL, Stephanes contabiliza quase sete anos de PMDB.

A escolha do novo ministro da Agricultura foi a mais tumultuada da reforma da equipe. Antes dele, Lula chegou a indicar o deputado Odílio Balbinotti (PMDB-PR), a pedido de Requião e do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR). O presidente recuou diante de denúncias de irregularidades que pesavam contra o parlamentar.

Na audiência de ontem, Lula teria dito que o ¿passado confiável¿ de Stephanes foi decisivo na escolha. O presidente só pediu que o novo ministro mantivesse o diálogo com os ruralistas e não demitisse o presidente da Embrapa, Sílvio Crestana.

SUPLENTE

Com a nomeação de Stephanes, outro aliado de Requião também se beneficia. Depois de se tornar ¿quase¿ deputado duas vezes, o secretário de Obras do Paraná, Marcelo Almeida, assumirá uma vaga na Câmara. Ele é filho de um dos maiores empreiteiros do País, Cecílio do Rego Almeida, do Grupo CR Almeida.

Primeiro suplente do PMDB, Almeida se preparou para ir para Brasília nos primeiros dias de janeiro, quando Requião convidou o deputado reeleito Max Rosenmann (PMDB) para a Secretaria de Transportes. A oferta foi recusada. A segunda oportunidade frustrada foi com a indicação de Balbinotti para o ministério.

Engenheiro civil, Almeida, de 40 anos, pretende apresentar propostas ligadas à humanização do trânsito. Ele já foi chefe do Detran no Paraná.