Título: Tarso assume Justiça e quer ampliar poderes do cargo
Autor: Monteiro, Tânia e Nossa, Leonencio
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/03/2007, Nacional, p. A6

O ministro da Justiça, Tarso Genro, quer ampliar os poderes de seu cargo. Logo após tomar posse, ontem, defendeu a transferência do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) para a pasta da Justiça, encampando uma proposta de seu antecessor, Márcio Thomaz Bastos. Dono de um poderoso banco de dados sobre movimentações suspeitas de dinheiro, o Coaf, ligado ao Ministério da Fazenda, é um dos principais órgãos no combate a crimes financeiros. ¿Queremos implantar no ministério poderes mais fortes para esse front de combate à criminalidade.¿

Durante os cumprimentos, Tarso - que vai comandar a Fundação Nacional do Índio (Funai) - ganhou do cacique xavante Pio um cocar trançado de fios de algodão. O líder indígena explicou que se tratava de presente para dar sorte e autoridade, mas a lenda corrente entre os políticos vai na direção oposta.Não se sabe como surgiu a crença de que usar cocar dá azar a políticos, mas sempre são lembrados Ulysses Guimarães e Tancredo Neves como vítimas do agouro trazido pelo adorno. O primeiro obteve menos de 10% dos votos ao concorrer à Presidência pelo PMDB, na época o principal partido do País; o segundo foi escolhido em eleição indireta, mas ficou doente e não assumiu como presidente.

O novo ministro tratou em tom de brincadeira os conflitos do governo com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). ¿Espero que desta vez a OAB não peça o impeachment do Lula¿, disse ele ao presidente da Ordem, Cezar Britto. ¿Mas a OAB não ficará inerte¿, respondeu Britto.

No ministério, já é certa a troca de comando na Polícia Federal. O atual diretor, Paulo Lacerda, permanecerá no cargo por mais três meses, a pedido de Tarso Genro.