Título: Chávez fará ato anti-Bush em Buenos Aires
Autor: Mello, Patrícia Campos
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/03/2007, Nacional, p. A5

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, convidou os colegas Rafael Correa, do Equador, e Evo Morales, da Bolívia, para participar do ato anti-Bush que prepara em Buenos Aires, com o apoio do argentino Néstor Kirchner. Chávez quer mostrar sua influência na região e disputar a atenção com o presidente norte-americano George W. Bush, durante sua visita aos países latino-americanos.

Quando Bush colocar o pé no outro lado do Rio da Prata, onde se reunirá com o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, Chávez estará em um estádio de futebol portenho em ato público, amparado pelos ¿piqueteiros¿ (desempregados que recebem subsídios do governo argentino).

Também apóiam o protesto de Chávez alguns organismos de direitos humanos, como as Mães da Praça de Maio. Os detalhes da ação de Chávez foram fechados nas últimas horas para que o venezuelano brilhe em um de seus papéis preferidos: o de inimigo público número 1 de George W. Bush na América Latina.

Na sexta-feira, a partir das 18 horas, o venezuelano exercerá sua retórica antiimperialista para uma platéia estimada entre 30 mil e 40 mil pessoas, calcula Luis D¿Elía, um líder piqueteiro que tem estreito relacionamento com Chávez.

As embaixadas do Equador e da Bolívia não confirmaram a presença de Correa e Evo, mas os organizadores do evento garantem que eles foram convidados. Kirchner limita-se a apoiar o ¿amigo Chávez¿, mas sem comparecer ao ato.

AMIGOS

Esta será a terceira vez que Kirchner permite a Chávez realizar protestos públicos contra Bush. A primeira foi em Mar del Plata, durante visita do presidente americano para participar da Cúpula das Américas, em novembro de 2005, quando o venezuelano organizou uma passeata e a anticúpula. A segunda foi em Córdoba, no ano passado, por ocasião da reunião de cúpula do Mercosul, ocasião em que Chávez encabeçou um ato paralelo ao evento, ao lado do presidente de Cuba, Fidel Castro.

Nas duas oportunidades, a Casa Rosada emprestou todo o apoio logístico às manifestações, mas Kirchner evitou aparecer em ambas.

Fontes da organização do evento revelaram que Chávez desembarcará em Buenos Aires com cerca de 300 militares do Exército Bolivariano, responsáveis por sua segurança. O presidente venezuelano chegará à capital da Argentina amanhã e, na sexta de manhã, assinará acordos com Kirchner.