Título: 'É preciso agora que haja passos concretos', diz Serra
Autor: Gobetti, Sérgio e Filgueiras, Sônia
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/03/2007, Nacional, p. A10
O governador de São Paulo, José Serra, destoou do otimismo da maioria de seus colegas presentes à reunião ontem com o presidente Lula. ¿Não se bateu o martelo em nada.¿ Cauteloso, o tucano afirmou que o diálogo foi bom, mas é preciso discutir detalhes, tanto da reforma tributária quanto das demais ações.
¿É preciso agora que haja passos concretos¿, afirmou ele, a respeito dos pontos que o governo se declarou disposto a atender da pauta de 14 itens apresentada pelos governadores em troca do apoio ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). No entender de Serra, não houve, por exemplo, em relação à dívida dos Estados, ¿nada de concreto para se avançar fora declarações de propósito¿.
O governador só mudou o tom ao comentar a disposição do governo em apoiar um projeto de lei em tramitação no Congresso que limita os gastos dos Estados com precatórios. ¿Toparam apoiar o projeto. É positivo. Na realidade não representa nenhum ônus para o governo.¿
Serra defendeu com especial ênfase a proposta que prevê alíquota zero de PIS/Cofins - cobradas sobre o faturamento das empresas - para companhias estaduais de saneamento. Para ele, a desoneração seria capaz de liberar R$ 1,3 bilhão e alavancaria verba para investimentos no setor. ¿O governo federal está ampliando crédito para saneamento com recursos do FGTS, mas parte desse financiamento não será materializado.¿
Apesar de já ter se manifestado favorável a uma reforma tributária que inclua a cobrança do ICMS no Estado de destino do bem, e não no Estado em que é produzido, Serra deixou claro que é preciso examinar o tema com cuidado. ¿Em matéria tributária o perigo está no detalhe¿, advertiu. ¿Eu normalmente sou cauteloso.¿