Título: Setor privado parece apostar no PAC
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/03/2007, Economia, p. B2

A produção industrial do primeiro mês do ano, com queda de 0,3% em relação a dezembro, não pode ser considerada como primeiro resultado do início do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nem pode ser atribuída à demora da liberação dos recursos do programa.

Janeiro é sempre um mês atípico no tocante à produção industrial. Alguns economistas se apressaram em atribuir essa queda da produção a um aumento de estoques, em conseqüência da frustração de vendas do mês anterior. Essa interpretação nos parece descartável quando se verifica um aumento, na margem, de 2,1% dos bens de consumo duráveis (é verdade que, essencialmente, se trata apenas de carros de passeio).

É preciso notar que a queda mais sentida (por ter maior peso na produção industrial) foi a da produção de bens intermediários, que já vinha sendo notada nos meses anteriores com o aumento das importações, mas que, em janeiro, foi intensificada pela forte redução de refino de petróleo por causa da paralisação por motivos técnicos, de plataforma marítima.

Além dos veículos, outro carro-chefe da produção de bens de consumo duráveis é a linha de produtos para computadores, indicando que a demanda continua sendo sustentada pela melhora dos rendimentos das famílias.

O que merece destaque na produção industrial de janeiro é a de bens de capital em relação ao mês anterior, com alta de 1,7% (com ajuste sazonal) e de 18% em relação ao mesmo mês de 2006.

O IBGE, há alguns meses, vem fornecendo dados importantes sobre a categoria de uso desses bens de capital. Assim, aqueles que são utilizados para fins industriais apresentaram aumento de 26,8% em relação a um ano atrás - 16,6% no setor de energia elétrica e 12,7% nos de equipamentos de transporte. Isso permite dizer que o setor privado deve estar respondendo positivamente ao PAC, realizando investimentos que não parecem estar ocorrendo no setor público, cuja atividade, até agora, não se dinamizou.

Apesar de não ter sido estimulado com uma redução da carga tributária, porque o governo não quer reduzir seus gastos correntes nem fazer reformas estruturais, o setor privado está se preparando para atender a uma demanda crescente interna e externa. O risco é que um desequilíbrio entre o setor público e o privado gere capacidade de produção ociosa no setor privado.