Título: Para Mantega, mudança na TR corrige distorção
Autor: Veríssimo, Renata e Freire, Gustavo
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/03/2007, Economia, p. B3

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a mudança na fórmula de cálculo da TR corrige uma distorção. 'Em um país onde todas as taxas de juros estão caindo, a TR tem que acompanhar', argumentou.

Segundo ele, a caderneta de poupança tem tido rendimento bastante elevado em relação aos últimos dois ou três anos. 'Não é correto que num cenário completamente diferente se mantenha algo que tenha uma distorção.'

Para Mantega, esta distorção pode criar migração de recursos dos fundos DI (prefixados) para poupança. 'Todo o mundo pode correr para este ativo. Estamos eliminando uma distorção, mas a poupança continua um ativo muito atraente, porque não corre risco e tem um rendimento de 6% ao ano mais TR', ressaltou.

O ministro criticou a fórmula de cálculo da TR. Segundo ele, quando caem a TBF (Taxa Básica Financeira usada no cálculo) e a Selic, a TR sobe. 'Não sei quem fez esta fórmula, mas ela é meio esquisita. Tanto que na próxima redução da Selic, que eu acho que vai ter esta semana, a TR sobe e fica esta distorção.'

O superintendente nacional de Serviços e Captação de Caixa Econômica Federal, Roberto Derziê, também acredita que a poupança permanece atrativa mesmo com as mudanças na TR. Ele afirmou que a rentabilidade da caderneta deverá se manter em torno de 65% do CDI - indicador de referência do mercado. Sem a mudança, a rentabilidade poderia saltar para 75%, gerando fluxo muito grande para a poupança. Os bancos, então, teriam problemas para destinar 65% dos recursos para financiamento imobiliário, como manda a lei.

Dirigentes das duas principais centrais sindicais do País, CUT e Força Sindical, consideraram a mudança 'absurda' e já analisam a possibilidade de ações jurídicas para reverter a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN).

'Além de ter uma conseqüência direta em relação aos trabalhadores, que terão menor rendimento nas contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, a medida tira dinheiro de setores como construção civil e saneamento (ligados ao FGTS) e garante maior margem para o setor financeiro, que já tem altos lucros', criticou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique. Ele espera uma ação conjunta das centrais contra a medida.

'Por que não houve alteração quando os juros estavam subindo?', questionou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, para quem a remuneração do FGTS já é baixa. 'O governo está cometendo ilegalidade e vamos avaliar como impedir.'