Título: PAC não alterou a intenção de investir, diz Fiesp
Autor: Rehder, Marcelo
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/03/2007, Economia, p. B3
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado pelo governo em janeiro, pouco alterou as intenções de investimento das empresas para 2007, segundo sondagem feita Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Das 191 empresas consultadas pela entidade no mês passado, 87,8% responderam que o PAC não afetou em nada os seus planos de investimento. Apenas 6,9% disseram que levou a um aumento. Outros 5,3% resolveram reduzir os planos depois do anúncio do programa.
'Os fatores que hoje limitam as decisões de investimento não foram atacados pelo PAC', diz José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp.
A principal restrição apontada pelos empresários foi a pesada carga tributária, citada em 82,7% das respostas de múltipla escolha. Já o custo elevado de financiamento foi assinalada em 48,7% das respostas, seguido de perto pela baixa taxa de crescimento da economia (47,6%) e o câmbio valorizado (45,5%).
Principal alvo do PAC, a expansão da hoje insuficiente infra-estrutura do País, não aparece entre as maiores restrições ao investimento produtivo. Foi citada só em 14,1% das respostas, à frente apenas de questões de leis ambientais (10,5%).
A Poly Hidrometalúrgica, fabricante de metais sanitários, está entre as poucas empresas que turbinaram os planos de investimento por causa do PAC. Animada com a promessa dos incentivos à construção civil previstos no programa, ela pretende investir R$ 2 milhões este ano, o que representa 20% do seu faturamento em 2006 (R$ 10 milhões).
Nos últimos três anos, os investimentos anuais não passaram de R$ 200 mil. 'Sem o PAC, estaríamos caminhando nessa mesma direção', diz Denis Perez Martins, sócio da Poly.
Segundo ele, os recursos serão aplicados na compra de máquinas e melhoria das instalações da fábrica localizada no bairro de Itaquera, zona leste da capital paulista. 'Queremos aumentar a produção e ganhar produtividade'. Com 80 funcionários, a empresa não tem planos de ampliar o emprego.
Algumas empresas têm planos menos ambiciosos para porque já fizeram investimentos importantes recentemente. É o caso da Castelo Alimentos, maior empresa produtora de vinagre para uso doméstico da América Latina.
Depois de investir R$ 8 milhões para dobrar a capacidade produtiva em 2006, a Castelo planeja investir R$ 3 milhões este ano. 'Nossa produção bateu no limite da capacidade instalada', diz o diretor-superintendente, Marcelo Cereser. Nos últimos anos, a demanda cresceu entre 5% e 10% ao ano. 'Dobramos a capacidade para ter folga de produção nos próximos cinco a sete anos'.
O investimento previsto será direcionado para adaptação do parque fabril em Jundiaí (SP).