Título: Negócio surgiu após um fracasso
Autor: Pamplona, Nicola
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/03/2007, Economia, p. B6
A venda do Grupo Ipiranga para o consórcio formado por Petrobrás, Braskem e Ultra revelou ao mundo dos negócios o engenheiro civil Pércio de Souza, 43 anos, sócio-diretor da Estáter, o cérebro por trás de uma operação intrincada que resultará na troca de mãos de US$ 4 bilhões até o fim deste ano. Mas o curioso da história do maior negócio envolvendo empresas brasileiras é de que a transação surgiu de um fracasso.
Há dois anos, a empresa foi contratada para reestruturar o Grupo Ipiranga. O trabalho não chegou ao fim, pela discordância de parte dos cerca de 70 acionistas. ¿Alguns queriam vender, outros não. A dificuldade de um acordo era tão grande que a reestruturação foi abandonada.¿
A tarefa fracassou, mas o diretor retornou ao escritório com a convicção de que o Grupo Ipiranga poderia ser vendido. Inteiro. ¿O problema, a partir disso, era encontrar um grupo que pudesse assumir todos os ativos.¿ Foi quando surgiu a idéia de vender o grupo inteiro e depois dividi-lo.
Por coincidência, o Grupo Ultra estava em busca de um negócio no Brasil. Pensava em avançar na distribuição de combustível. Souza aproveitou o interesse da Braskem e da Petrobrás de integrar os ativos petroquímicos no Sul.
A Estáter foi criada em 2004, mas conceitualmente existia na cabeça de Souza há pelo menos dez anos. Ainda como executivo do BBA, Souza vislumbrou o fabuloso crescimento do mercado de capitais, a partir do qual as empresas poderiam buscar recursos baratos para investimento.
¿Errei no tempo. Pensei que isso poderia acontecer logo depois da estabilização da economia e foi ocorrer anos depois.¿ A butique de negócios, uma denominação que não lhe agrada muito, é resultado deste novo ambiente de negócios do País. Muitos bancos estrangeiros (muitos correm para o Brasil para aproveitar a crescimento destas operações) gostariam de ter assinado a estruturação da venda da Ipiranga.
Estáter é o nome de uma moeda grega banhada em ouro, que circulava no século 7º a.C. Mas nada parece tão emblemático quanto o lema que Souza carrega consigo: ¿Não sabendo que era impossível, foi lá e fez¿. E assim um negócio que parecia impossível saiu.