Título: Privatização iniciou consolidação do setor
Autor: Pamplona, Nicola
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/03/2007, Economia, p. B6
A privatização do setor petroquímico durante a década de 90 foi o primeiro passo para o processo de consolidação do setor que começa a ganhar força agora, com a compra do Grupo Ipiranga por Petrobrás, Braskem e Ultra. A opinião é de Carlos Mariani, 38 anos de experiência no setor, com atuação importante na criação do Pólo de Camaçari, no início da década de 70.
'A privatização abriu as portas para a consolidação do setor, pois permitiu o desenvolvimento de grupos privados', disse o executivo, que hoje preside a PIN Petroquímica e é membro do conselho de administração do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Federação da Indústria do Rio de Janeiro (Firjan). Antes, a Petrobrás tinha 50% de participação nas centrais petroquímicas e o restante era dividido entre as empresas de segunda geração que ficavam no entorno.
Após a privatização, a estatal ficou com 15% nas centrais e vendeu sua fatia em 15 empresas de segunda geração. Na maior parte dos casos, as ações foram adquiridas pelos próprios sócios da companhia em cada negócio. A partir deste momento, os grupos Odebrecht, Suzano, Unipar, Mariani e a própria Ipiranga, entre outros, ganharam musculatura econômica e experiência gerencial para seguirem seus próprios caminhos.
Mariani lembra ainda da quebra do Banco Econômico, em 1995, como fator que impulsionou o crescimento do principal grupo privado da petroquímica brasileira atualmente, o baiano Odebrecht, responsável pelo processo de integração do Pólo de Camaçari. O banco tinha participação relevante na Norquisa, empresa que controlava a central petroquímica baiana.
O ativo foi levado a leilão pelo Banco Central (BC), liquidante do Econômico, e arrematado pela Odebrecht, numa operação que se tornou o embrião da Braskem. A companhia conseguiu simplificar a estrutura acionária e, com a compra de participações em empresas de segunda geração, verticalizou as principais atividades do pólo. Hoje, é a maior empresa petroquímica da América Latina.