Título: Para especialistas, não adianta nova pasta se política for a mesma
Autor: Lopes, Eugênia
Fonte: O Estado de São Paulo, 28/03/2007, Nacional, p. A7
A criação da Secretaria Especial de Portos pelo governo divide associações e especialistas ligados ao setor. Considerado vital para o crescimento do País, o sistema portuário - mais de 95% (em toneladas) e 75% (em valor) das importações e exportações são feitas pela via marítima - tem hoje deficiências inadmissíveis como falta de estrutura e de estabilidade regulatória. ¿A iniciativa privada tem interesse em investir, mas esbarra na burocracia do governo, que há seis anos não faz nem licitação de novas áreas¿, afirma Wilen Manteli, presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP). ¿O desenvolvimento e o crescimento do setor não têm acompanhado o crescimento da produção, o que gera gargalo.¿
Para Manteli e outros especialistas, de nada adianta uma nova secretaria se a política for a mesma. ¿No que se refere aos investimentos privados, os portos estão bem. Mas falta o governo cumprir com suas obrigações¿, destaca Sérgio Salomão, da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (Abratec). Ele cita, como exemplo, a deficiência no acesso aos portos por meio dos transportes ferroviário e aquaviário e deficiência no serviço de dragagem. ¿A execução tem sido precária.¿
Diretor do Centro de Estudos em Logística da Coppead, ligada à Universidade Federal do Rio de Janeiro, Paulo Fleury é mais contundente. ¿A decisão da criação da secretaria é eminentemente político-partidária, e não técnica¿, diz. Para ele, a medida vai na contramão da tendência de integração dos meios de transporte. ¿A questão logística tem de ser olhada de maneira integrada para que possa haver eficiência.¿