Título: Governistas temem nova crise militar
Autor: Leal, Luciana Nunes
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/04/2007, Nacional, p. A4

No desespero de tentar barrar a instalação da CPI do Apagão em meio à crise entre Planalto e Aeronáutica, governistas investiram sobre a oposição e abriram diálogo com lideranças do PSDB e do DEM. A ofensiva, que mirou especialmente os tucanos, pôs em campo uma ¿tropa de elite¿, formada por petistas e líderes aliados, com a missão de convencer a oposição dos ¿perigos¿ de a CPI desencadear outra crise militar.

Quem ficou à frente do grupo foi o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). Ele, porém, contou com aliados de outros partidos, como os líderes do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), e do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), além do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).

Até o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), participou do esforço. Além das conversas em seu gabinete, ele recebeu adversários do Planalto, como o líder tucano Antônio Carlos Pannunzio (SP), para jantar. Nos contatos, os governistas procuraram mostrar que a CPI do Apagão Aéreo não preocupa por se propor a investigar casos de corrupção na Infraero.

O tom das conversas foi o mesmo: o temor do governo é que a CPI abra crise militar a partir da convocação dos sargentos controladores, que poderiam implicar o alto escalão da FAB (Força Aérea Brasileira) em eventuais denúncias de mordomia e corrupção, a título de vingança contra ameaças de inquérito militar e punições. Miro repetiu a vários oposicionistas que ¿o melhor é não cutucar a onça com vara curta¿.

¿A verdade é que todos os segmentos do governo ficaram muito assustados com a crise que sucedeu ao motim dos controladores e não sabiam como lidar com esta questão¿, completou o líder da minoria na Câmara, Júlio Redecker (PSDB-RS). Além de ter sido abordado pela tropa governista, ele participou de almoço com o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, ao lado de Chinaglia na segunda-feira. ¿Ficaram todos apavorados quando souberam que eu estava lá.¿

A ofensiva governista, porém, deu pouco resultado. ¿Não é linha de ação nossa estimular o confronto entre controladores e oficiais ou procurar corruptos na Aeronáutica¿, disse o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), ao avisar que a CPI não começará quebrando sigilos.

¿Não sou nenhum inconseqüente para chamar um controlador e um brigadeiro a uma comissão e fomentar o confronto¿, afirmou Pannunzio, inconformado com a ação governista para identificar CPI com crise institucional. ¿Se existe algum risco, de fato, que nos procurem para conversa mais franca¿, desafiou. ¿Por enquanto, nenhum argumento sensibilizou a oposição. Ao contrário, o que nos sensibiliza é o sofrimento do usuário dos transportes aéreos.¿